Dia Nacional do Escritor destaca projetos de incentivo à leitura, produção literária e formação de leitores nas escolas municipais de Belo Horizonte
Neste sábado, 25 de julho, quando é celebrado o Dia Nacional do Escritor, a Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte evidencia que o incentivo à leitura e à escrita faz parte da rotina das escolas. Além de professores e profissionais das bibliotecas que também são escritores, estudantes têm encontrado espaço para desenvolver o hábito da leitura e publicar suas próprias obras, fortalecendo a formação de leitores e ampliando o acesso à literatura.
As iniciativas desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Educação (Smed) valorizam a produção literária dentro das unidades escolares e buscam aproximar crianças e adolescentes do universo dos livros. Entre os destaques estão projetos de incentivo à leitura, programas de produção literária, distribuição de kits de livros e a modernização das bibliotecas escolares.
Profissionais da Rede Municipal unem educação e literatura
Na Escola Municipal Lídia Angélica, localizada na Regional Pampulha, a assistente administrativa da biblioteca e escritora Stela Araújo de Souza transforma sua experiência com os livros em ações voltadas para o incentivo à leitura.
Entre as iniciativas desenvolvidas está o projeto “Leituras Compartilhadas”, que reúne turmas da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental em sessões de contação de histórias. As atividades utilizam leituras coletivas interpretadas por meio de apresentações teatrais e fantoches, tornando a experiência literária mais próxima do cotidiano das crianças.
Com quase duas décadas de atuação na educação pública de Belo Horizonte, Stela destaca a importância do contato direto entre estudantes e escritores.
“Também realizamos parcerias com autores e só o fato de perceberem que um deles está falando diretamente com eles já os encantou. Essas pontes que construímos são muito importantes.”
Segundo a profissional, aproximar escritores dos alunos desperta interesse pela leitura e fortalece o vínculo das crianças com a literatura.
Professor de educação física também incentiva o hábito da leitura
Outro exemplo é Anderson Seixas, professor de Educação Física da Escola Municipal União Comunitária, na Regional Barreiro.
Embora seja conhecido pelos estudantes pelas atividades esportivas, Anderson também dedica parte da vida à literatura. O interesse pela escrita surgiu ainda na infância, motivado pela leitura de livros de fantasia, gênero que continua sendo sua principal referência.
O sonho de publicar um livro foi concretizado há quase cinco anos e, atualmente, ele procura integrar o incentivo à leitura ao trabalho desenvolvido com seus alunos.
Segundo o professor, algumas atividades realizadas em sala buscam estimular hábitos saudáveis, entre eles dedicar mais tempo aos livros e reduzir o uso excessivo do celular.
“Desenvolvo algumas brincadeiras para conscientizar os alunos a terem hábitos mais saudáveis, como ler, e largar um pouquinho o celular. É papel do professor de educação física levar o aluno para a reflexão.”
Estudante de 9 anos publica seu primeiro livro
A valorização da produção literária também alcança os estudantes da Rede Municipal.
Um dos exemplos apresentados pela Secretaria Municipal de Educação é o da aluna Antônia Magalhães Coelho Portela, da Escola Municipal Vinicius de Moraes, no Barreiro.
Aos 9 anos, ela publicou seu primeiro livro, “O Segredo da Floresta”, lançado no início deste ano.
A obra acompanha a trajetória da personagem Antônia, uma menina que desperta em uma floresta ameaçada de extinção. Durante a narrativa, ela enfrenta desafios e busca artefatos mágicos para proteger o ambiente natural.
Segundo a jovem autora, a principal motivação para escrever o livro foi conscientizar leitores sobre a preservação ambiental.
“Eu quero passar a mensagem de que devemos respeitar a natureza, pois várias pessoas no dia a dia destroem as nossas matas. O livro também foi feito para adultos, que devem ter noção sobre o que estão fazendo.”
O incentivo à leitura começou dentro de casa, especialmente pela influência da mãe, Eliane Aparecida Magalhães dos Santos, professora da própria Rede Municipal.
Ela destaca que, além do apoio familiar, a escola teve papel decisivo no desenvolvimento da filha.
“Antônia recebeu estímulo de todos os professores e teve à disposição uma biblioteca maravilhosa. As crianças são como terras férteis; quando a escola motiva e incentiva, as sementes germinam.”
Programas fortalecem a formação de leitores nas escolas municipais
A Secretaria Municipal de Educação desenvolve diversas ações para ampliar o acesso dos estudantes à literatura e incentivar a produção escrita.
Entre elas estão os Kits Literários, distribuídos aos alunos conforme a faixa etária e o perfil de cada público. A seleção reúne diferentes temas, gêneros e autores, incluindo obras da literatura afro-brasileira, africana e indígena, contribuindo para o fortalecimento dos acervos das bibliotecas escolares e para o trabalho relacionado às relações étnico-raciais.
Outra iniciativa é a Jornada Literária, programa que incentiva estudantes da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos (EJA) a produzirem seus próprios livros a partir de um tema anual.
Além da escrita das obras, os participantes desenvolvem projetos gráficos, participam de saraus literários, encenações teatrais e sessões de autógrafos.
Neste ano, o tema escolhido foi “Justiça Social”, com prazo de entrega dos trabalhos até 30 de outubro.
Desde sua criação, em 2011, a Jornada Literária já resultou na produção de aproximadamente 760 livros.
Bibliotecas modernizadas ampliam acesso aos livros
Outra frente de atuação da Secretaria Municipal de Educação é a modernização das bibliotecas escolares.
A Smed trabalha para que todas as escolas da Rede Municipal contem com bibliotecas equipadas e automatizadas por meio do sistema Pergamum, ferramenta utilizada para gerenciamento dos acervos.
Mais de 225 bibliotecas já foram automatizadas, com quase um milhão de obras catalogadas, medida que amplia o acesso dos estudantes aos livros e torna mais eficiente a gestão dos acervos.
Para a subsecretária de Inclusão, Equidade e Clima Escolar e de Gestão Pedagógica, Arminda Oliveira, incentivar a produção literária faz parte do papel da escola pública.
“Acreditamos na escola pública como um polo pulsante de produção literária e cultural. Quando abrimos espaço para que um estudante publique seu primeiro texto ou valorizamos o talento de um professor ou bibliotecário escritor, estamos mostrando que as vozes deles importam e têm poder de transformação.”
Literatura como ferramenta de transformação
As experiências apresentadas pela Rede Municipal de Educação mostram que o incentivo à leitura vai além da formação escolar. Ao valorizar escritores que atuam nas escolas e estimular estudantes a escreverem seus próprios livros, a rede fortalece a produção cultural e amplia o contato das crianças com a literatura desde os primeiros anos de ensino.
Projetos de leitura, bibliotecas estruturadas, distribuição de livros e programas de produção literária compõem uma estratégia voltada para formar leitores e incentivar novas gerações de autores dentro da escola pública de Belo Horizonte.

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
