Introdução da Nova Regulamentação
Em uma importante atualização das normas trabalhistas brasileiras, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, assinou uma portaria que redefine como o trabalho no comércio será conduzido durante feriados. Este desenvolvimento é fruto de negociações intensas e prolongadas, com duração de aproximadamente três anos, envolvendo atores essenciais: representantes dos trabalhadores, do setor empresarial e do governo.
Com a publicação programada para o Diário Oficial da União, a nova regra entra em vigor imediatamente. A principal mudança provocada por essa regulamentação é a exigência de que o funcionamento do comércio em feriados esteja condicionado à autorização estabelecida em uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Este documento deve ser firmado entre sindicatos que representam trabalhadores e empregadores, buscando um consenso que atenda às duas partes interessadas.
O Impacto da Decisão e a Autoridade dos Sindicatos
A decisão representa uma clara mudança no poder de decisão sobre o funcionamento do comércio em feriados. Anteriormente, a prerrogativa para determinar a abertura do comércio nesses dias podia ser feita de maneira unilateral pelo empregador. Contudo, com a nova norma, essa decisão passa a depender de um acordo coletivo. Assim, busca-se um equilíbrio que permita aos trabalhadores e empregadores negociar as condições de trabalho em feriados de forma justa e equitativa.
A norma também reafirma que atividades consideradas essenciais ou de interesse público continuarão a ter autorização permanente para operar em feriados, sem a necessidade de um acordo coletivo. No entanto, para o comércio varejista geral, incluindo supermercados, a negociação coletiva se tornou um requisito indispensável. Isso significa que os acordos entre sindicatos e empregadores se tornaram uma peça chave na organização do trabalho durante esses dias especiais.
Reações e Perspectivas dos Envolvidos
Durante a cerimônia de assinatura da portaria, o ministro Luiz Marinho destacou a importância do diálogo na construção desse novo marco regulatório. Ele apela para a maturidade das lideranças sindicais ao sugerir que, mesmo em situações que aparentam ser insolúveis, a conversa franca em uma mesa de negociação pode proporcionar soluções viáveis. Segundo o ministro, o governo se compromete a manter as portas do diálogo abertas, servindo como mediador quando necessário, para evitar conflitos e promover um ambiente de trabalho mais harmonioso.
Do lado empresarial, Ivo Dall’Acqua, presidente da Fecomércio-SP e diretor da Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), expressou otimismo sobre o acordo. Ele acredita que a norma proporciona maior previsibilidade tanto para empresas quanto para trabalhadores ao preservar a negociação coletiva como um pilar das relações trabalhistas. Dall’Acqua também enfatizou que, embora o acordo atual seja um passo significativo, o diálogo sobre o tema deve continuar evoluindo e se adaptando às necessidades do mercado de trabalho.
Histórico e Futuro das Negociações
A regulamentação que acaba de ser assinada é a culminação de um processo que começou em 2023, após a publicação da Portaria nº 3.665. Esta portaria havia reintroduzido a necessidade de convenções coletivas para o trabalho em feriados no comércio, corrigindo uma norma anterior de 2021 que permitia o funcionamento de diversos setores sem necessidade de negociação.
Além disso, a nova portaria estabelece que quaisquer futuras mudanças na lista de atividades autorizadas a funcionar em feriados devem passar pelo crivo de uma comissão tripartite. Esta comissão será composta por representantes do governo, dos trabalhadores e dos empregadores, garantindo que todas as partes interessadas tenham voz nas decisões que possam impactar suas operações e condições de trabalho.
O nosso diálogo tem que ser permanente.

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
