<h2>Apostas online estão associadas ao aumento da procura por atendimento em saúde mental e já mobilizam novas formas de assistência</h2>
O impacto financeiro dos danos à saúde relacionados às apostas online no Sistema Único de Saúde (SUS) chega a R$ 30,6 bilhões por ano, segundo estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS). O levantamento considera despesas relacionadas ao tratamento de depressão, ansiedade e impactos provocados por mortes por suicídio.
O dado foi divulgado pela Agência Brasil em 19 de setembro de 2026. Segundo a reportagem, nos últimos cinco anos houve aumento de 140% na busca por atendimento no SUS relacionado à dependência de apostas online e jogos de azar.
<h3>Saúde mental e procura por atendimento</h3>
De acordo com Marcelo Kimati, diretor de Saúde Mental do Ministério da Saúde, o crescimento da demanda foi registrado em toda a Rede de Atenção Psicossocial. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde lançou um serviço de teleatendimento destinado a pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas.
Desde fevereiro de 2026, quando foi criada uma porta de entrada eletrônica para esse tipo de atendimento, 20 mil pessoas se cadastraram após realizar um teste. A capacidade do serviço também foi ampliada de 600 para até 100 mil teleatendimentos mensais, em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).
Outro indicador citado na reportagem é a plataforma de autoexclusão lançada pelo Ministério da Fazenda. Mais de 5 milhões de CPFs foram bloqueados em sites de apostas online autorizados pelo governo federal. Mais de 1 milhão de usuários solicitaram a autoexclusão, sendo que quase metade informou problemas de saúde mental relacionados às apostas.
<h3>Impacto financeiro das apostas no SUS</h3>
Apesar do impacto estimado em R$ 30,6 bilhões anuais, apenas 1% do valor arrecadado pelas operadoras de apostas é destinado ao Ministério da Saúde para ações destinadas a minimizar esses danos.
A reportagem também apresenta relatos de pessoas que enfrentaram dependência em jogos e apostas. Entre os casos está o de um vendedor de 24 anos que chegou a perder meio milhão de reais durante seis anos de apostas e utilizou a autoexclusão para evitar novas recaídas.
<h3>Apoio familiar e tratamento</h3>
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil destacam a importância de identificar sinais de dependência e buscar ajuda profissional. Entre os sinais mencionados estão isolamento, mudanças de humor e aumento dos gastos.
O apoio familiar também é apontado como importante durante o processo de recuperação. Segundo a psicóloga Mariana Kehl, a busca por ajuda deve ocorrer sem moralização, porque a vergonha pode contribuir para manter o sofrimento em silêncio.
O SUS oferece teleatendimento psicológico pelo Meu SUS Digital, além de atendimento presencial em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Também existem grupos de apoio para pessoas com dependência e familiares.
<h3>Relevância para a saúde pública</h3>
Os dados apresentados colocam a dependência relacionada às apostas online como uma questão que envolve saúde mental, atendimento público e impacto financeiro sobre o SUS. O aumento da procura por assistência e a expansão do teleatendimento mostram que o sistema de saúde passou a incorporar novas formas de atendimento para essa demanda.

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
