Especialistas apontam maior vulnerabilidade de jovens a apostas online

Apostas em bets avançam entre jovens e ampliam risco de dependência

Facilidade de acesso pelo celular, endividamento e impactos na educação preocupam especialistas

A expansão das apostas online entre jovens tem ampliado a procura por ajuda para enfrentar a dependência de bets. Segundo reportagem da Agência Brasil, publicada em 19 de setembro de 2026, integrantes do grupo Jogadores Anônimos relatam a chegada de adolescentes a partir dos 14 anos em busca de apoio.

Primeiras apostas começam cada vez mais cedo

Dados citados pela reportagem mostram que a exposição às apostas ocorre ainda na infância e adolescência. Segundo informações do Unicef, uma em cada cinco pessoas no mundo começa a apostar em jogos online até os 11 anos. A partir dos 12 anos, o percentual chega a 78%.

No Brasil, uma pesquisa realizada neste ano com 1.912 estudantes dos ensinos fundamental e médio apontou que 9,5% fizeram a primeira aposta aos 11 anos. Entre os alunos do 3º ano do ensino médio entrevistados, quase metade já havia feito apostas.

A reportagem também cita estudo do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), segundo o qual canais direcionados ao público infantil exploram a falta de maturidade financeira de crianças e adolescentes para promover apostas ilegais.

Celular facilita acesso às bets

Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a facilidade de acesso às plataformas pelo celular amplia a exposição dos jovens. A psicóloga Mariana Kehl afirma que adolescentes são mais vulneráveis aos estímulos das apostas porque as áreas cerebrais relacionadas ao controle de impulsos e avaliação de riscos ainda estão em desenvolvimento.

O problema também aparece nos relatos de pessoas que enfrentaram a compulsão. Gustavo Pereira, hoje com 24 anos, começou a apostar aos 18 e afirma ter perdido cerca de R$ 500 mil em seis anos. Atualmente, está há aproximadamente dois meses sem apostar e tenta reconstruir a vida vendendo café nas ruas de Lages (SC).

Endividamento afeta educação e orçamento

Relatório do IBICT citado pela Agência Brasil aponta que pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em bets em 2024, sendo que quase metade ficou endividada.

Os impactos também chegam à educação. Pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) indica que 34% dos entrevistados disseram que precisariam interromper gastos com apostas para conseguir iniciar uma graduação em 2026. Entre estudantes universitários, 14% relataram atraso de mensalidades ou trancamento do curso devido aos gastos com bets.

Além disso, 34% afirmaram ter deixado de investir em cursos, idiomas ou outras formas de aprendizado, enquanto 33% deixaram de investir em academia ou atividades físicas.

ECA Digital estabelece novas regras

A reportagem destaca ainda o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), sancionado em setembro de 2025 e em vigor desde março de 2026. Entre as novas regras, menores de 18 anos não podem apostar online.

O texto também estabelece mecanismos de verificação de idade e amplia a responsabilidade de plataformas, famílias e Estado na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

A discussão sobre as bets envolve, portanto, acesso, prevenção, educação financeira, proteção de crianças e adolescentes e enfrentamento da dependência. Os dados apresentados mostram que as apostas online já interferem no orçamento e, para parte dos jovens, podem alcançar decisões relacionadas à educação e ao futuro.