Metrô de BH

Moradores do Primeiro de Maio clamam por diálogo com Metrô BH devido a danos em casas

Preocupação com danos e segurança

O bairro Primeiro de Maio, na Zona Norte de Belo Horizonte, vive uma situação alarmante com as obras do metrô causando transtornos significativos para os moradores. Aqueles que residem nas proximidades da Rua Tapena têm enfrentado problemas estruturais em suas casas, com fissuras, trincas e instabilidades aparentes. A preocupação é crescente, especialmente com o risco de desabamento que ameaça a segurança dos residentes.

Durante uma audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos, Habitação, Igualdade Racial e Defesa do Consumidor da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), na última terça-feira (19/5), os moradores puderam expressar seu descontentamento e preocupação. O encontro, solicitado pelo vereador Bruno Miranda (PDT), foi uma oportunidade para que os residentes compartilhassem suas experiências e buscassem soluções para os problemas enfrentados.

Ação judicial e busca por diálogo

Os moradores afetados já recorreram à Justiça pedindo reparação pelos danos sofridos, mas a resposta ainda é aguardada. O vereador Bruno Miranda lamentou a ausência de representantes da Metrô BH na audiência, sublinhando a dificuldade de comunicação com a concessionária. A promessa é que uma listagem dos imóveis danificados seja entregue à Defesa Civil, enquanto Miranda se compromete a cobrar um posicionamento da empresa responsável pelas obras.

Núbia Botelho, uma das líderes comunitárias do bairro, relatou que as trincas em sua casa começaram a surgir há cinco anos, logo após o início das obras do metrô. Ela descreveu que um engenheiro da Metrô BH visitou o local, mas a avaliação foi considerada superficial. Segundo Núbia, o engenheiro sugeriu soluções paliativas, como a aplicação de gesso nas trincas, e ofereceu pintar a casa de graça, o que ela considerou insuficiente para a gravidade da situação.

Casas em risco e a necessidade de perícia independente

Maria Aparecida Teles de Oliveira é uma das moradoras que manifestou grande preocupação com a situação da sua residência, localizada ao lado do túnel do metrô. Ela teme que sua casa possa desabar, desencadeando um efeito dominó que afetaria outras habitações próximas. Maria Aparecida também criticou a superficialidade da vistoria realizada pela Metrô BH, na qual o engenheiro não inspecionou todos os andares da casa.

Audiência pública para promover o debate sobre as moradias afetadas por obra dso Metrô
O Guarda Municipal Cássio Soares da Silva — Morador do Bairro Primeiro de Maio
Fotos: Tatiana Francisca/CMBH – Divulgação
Audiência pública para promover o debate sobre as moradias afetados por obra do Metrô
Paulo Carvalho de Freitas — Morador do Bairro Primeiro de Maio
Fotos: Tatiana Francisca/CMBH – Divulgação

Cássio Soares, outro morador da região, destacou que o problema não é isolado. Segundo ele, dezenas de casas sofrem com as consequências das obras do metrô, apresentando rachaduras, trincas e tremores constantes durante a passagem dos trens. Ele defendeu a necessidade de laudos técnicos independentes e a atuação da Defesa Civil Municipal, além de um maior diálogo e garantias de indenização ou reparos para os danos comprovados. Cássio também frisou a necessidade de apoio psicológico para as famílias afetadas pelo temor de desabamentos.

Ação judicial e resposta das autoridades

O advogado Leonardo Silva representa as famílias na ação judicial que visa apurar a responsabilidade da Metrô BH pelos danos causados. Um laudo já elaborado revelou fissuras significativas, de até cinco centímetros, em diversas propriedades, além de uma forte trepidação que poderia comprometer a estabilidade das construções locais. Silva ressaltou a urgência de um exame pericial para confirmar os achados do laudo inicial e implementar medidas de mitigação imediatas. Em casos extremos, ele sugeriu que a desapropriação de imóveis próximos à linha do metrô poderia ser necessária.

Elcione Menezes Alves, subsecretário de Proteção e Defesa Civil da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, destacou a importância da prevenção e da realização de uma perícia técnica independente para esclarecer a relação de causa e efeito entre as obras do metrô e os danos. Ele garantiu que representantes da Defesa Civil visitarão cada residência para avaliar a situação e solicitou uma lista com os nomes e endereços dos moradores afetados.

Passos futuros e compromisso das autoridades

O vereador Bruno Miranda reafirmou seu compromisso em providenciar uma listagem completa dos imóveis afetados e enviá-la à Defesa Civil. Além disso, Miranda se dispôs a entrar em contato diretamente com a Metrô BH para buscar respostas e soluções para os problemas enfrentados pelos moradores do bairro Primeiro de Maio.

Os residentes continuam a aguardar por ações concretas que garantam a segurança de suas casas e a tranquilidade de suas famílias. A expectativa é que as autoridades e a concessionária demonstrem maior sensibilidade e compromisso em resolver a situação que tanto aflige essa comunidade.

Quando se desdenha de avaliações mais criteriosas podemos estar submetendo a vida de pessoas a risco. O patrimônio a gente indeniza, mas quando existe perda de vidas, isso não se recupera.