Pesquisa Datafolha ouviu 5.296 alunos em todas as regiões do Brasil; formação de professores, menos faltas em sala de aula e acesso ao ensino técnico estão entre as principais expectativas
Melhorias na qualidade do ensino e da aprendizagem estão entre as principais reivindicações dos estudantes das escolas públicas brasileiras para os governos que começam seus mandatos em 2027. A expectativa aparece em uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, que ouviu 5.296 alunos do ensino fundamental II, do 6º ao 9º ano, e do ensino médio, nas cinco regiões do país.
O levantamento mostra que os estudantes esperam mudanças na maneira de ensinar, aulas mais dinâmicas, capacitação dos professores e redução das faltas dos profissionais que prejudicam a continuidade das atividades escolares.
A pesquisa, intitulada O que os estudantes pensam sobre a Educação?, foi encomendada pelas fundações Itaú, Lemann e Telefônica Vivo, além dos institutos Natura, Sonho Grande, Unibanco e Todos Pela Educação.
Os resultados apontam que a qualidade da aprendizagem está diretamente relacionada à atuação dos professores e às condições oferecidas pelas escolas.
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Como os estudantes avaliam o trabalho dos professores
Um dos principais resultados da pesquisa é a relação entre a maneira como os professores explicam os conteúdos e a avaliação que os alunos fazem da escola.
Entre os estudantes que afirmam que os professores explicam bem as matérias, 75% consideram a escola boa ou ótima. Já entre aqueles que dizem que os conteúdos não são bem explicados, o percentual de avaliação positiva cai para 48%.
O levantamento também identificou diferenças na percepção sobre a motivação dos professores. No ensino fundamental II, 78% dos estudantes consideram que os docentes estão motivados para dar aulas. No ensino médio, esse índice é de 69%.
Outro problema apontado é a ausência de professores. Entre os alunos do ensino médio, 66% concordam totalmente ou em parte que existem disciplinas que ficam algum tempo sem professor. No fundamental II, essa percepção foi registrada por 61% dos entrevistados.
Os dados reforçam a importância da presença dos profissionais em sala de aula, da formação continuada e de estratégias de ensino que favoreçam a aprendizagem.
Mais de 90% valorizam a oportunidade de fazer curso técnico
A formação profissional também aparece como uma das expectativas dos estudantes. Mais de 90% consideram importante ter a oportunidade de realizar um curso técnico ou profissionalizante durante o ensino médio.
Entretanto, o acesso a essa modalidade ainda é limitado. Segundo dados do Censo Escolar de 2025, aproximadamente 20% dos estudantes do ensino médio estão matriculados na Educação Profissional e Tecnológica.
A diferença entre o interesse dos alunos e o número de matrículas indica um desafio para as políticas públicas: ampliar as oportunidades de formação profissional e aproximar a educação das possibilidades de ingresso no mercado de trabalho.
Inteligência artificial já faz parte da rotina dos estudantes
O uso de ferramentas tecnológicas também ganhou espaço na rotina escolar. Segundo a pesquisa, 70% dos estudantes afirmam que os professores utilizam tecnologia nas aulas pelo menos uma vez por semana.
A inteligência artificial já aparece entre os recursos utilizados pelos próprios alunos. O levantamento aponta que 71% recorrem à IA com frequência ou ocasionalmente para estudar.
Apesar dessa presença crescente, quase um terço dos entrevistados discorda que os professores estejam bem preparados para utilizar recursos tecnológicos em sala de aula.
O resultado aponta para a necessidade de ampliar a formação dos profissionais da educação, permitindo que as novas ferramentas sejam utilizadas de maneira adequada e contribuam efetivamente para o processo de aprendizagem.
Escolas de tempo integral recebem avaliação mais positiva
A pesquisa também analisou a percepção dos estudantes sobre a educação em tempo integral.
Entre os alunos matriculados nessa modalidade, 74% avaliam a escola como boa ou ótima. No ensino regular, o índice é de 68%.
Os estudantes associam o tempo integral a benefícios como mais oportunidades de aprendizagem, participação em atividades esportivas, artísticas e culturais, preparação para o futuro e maior disponibilidade de tempo para estudar para vestibulares e para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Entretanto, o levantamento identificou uma dificuldade para a ampliação dessa modalidade. Entre os estudantes do ensino médio que não frequentam escolas de tempo integral, 20% afirmam trabalhar ou exercer alguma atividade remunerada.
A realidade mostra que a ampliação da jornada escolar precisa considerar também as condições sociais e econômicas dos estudantes, especialmente daqueles que conciliam os estudos com atividades profissionais.
Escolha dos itinerários influencia avaliação dos estudantes
Outro aspecto identificado pelo levantamento é a importância da possibilidade de escolha dos itinerários formativos no ensino médio.
Entre os estudantes que afirmam ter conseguido escolher plenamente uma trajetória de aprofundamento alinhada aos próprios interesses, 90% avaliam a qualidade do itinerário como boa ou ótima.
Quando os alunos tiveram pouca ou nenhuma possibilidade de escolha, esse percentual cai para 43%.
O resultado demonstra que a participação dos estudantes nas decisões sobre sua formação pode influenciar a percepção sobre a qualidade do ensino oferecido.
Aprendizagem deve estar no centro das políticas educacionais
Os resultados da pesquisa apresentam desafios para os governos que assumem em 2027. Entre as expectativas dos estudantes estão melhorias na qualidade das aulas, valorização e capacitação dos professores, presença regular dos profissionais nas escolas, ampliação do ensino técnico e melhor aproveitamento dos recursos tecnológicos.
Para os responsáveis pelo levantamento, ouvir os estudantes é fundamental para construir políticas públicas mais próximas da realidade das escolas.
A pesquisa também deixa uma mensagem importante para os gestores da educação: ampliar o acesso à escola é necessário, mas garantir que os alunos aprendam, tenham professores presentes e encontrem oportunidades de desenvolvimento profissional precisa estar entre as prioridades.
As expectativas apresentadas pelos jovens colocam a qualidade da educação pública no centro do debate sobre o futuro das próximas gerações.

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
