A chegada dos novos ônibus elétricos em Belo Horizonte representa um retorno da cidade à utilização de veículos movidos a energia elétrica no transporte coletivo. Embora a tecnologia seja mais moderna, a capital mineira já operou um sistema semelhante há mais de sete décadas.
O sistema de trólebus foi inaugurado em 1953 e, durante seu período de maior expansão, chegou a operar nove linhas, distribuídas por cerca de 32 quilômetros de rede elétrica. Os veículos eram alimentados por energia captada da rede aérea e integravam o transporte coletivo da capital até o fim da década de 1960.
Em 1969, o serviço foi desativado. Entre os motivos apresentados na época estavam o elevado custo de operação e da energia elétrica, além da menor flexibilidade dos trólebus em comparação aos ônibus movidos a diesel. Após a desativação, os veículos que circulavam em Belo Horizonte foram transferidos para a cidade de Recife.
A ideia de utilizar ônibus elétricos em Belo Horizonte voltou a ser discutida em 1986, quando a Prefeitura iniciou um projeto para reimplantar o sistema de trólebus. As primeiras obras foram executadas na Avenida Cristiano Machado, onde seria implantada a futura linha 5555, ligando a Estação Venda Nova à Estação Lagoinha.
No entanto, as intervenções foram interrompidas em 1987 e o projeto acabou não sendo concluído. Os trólebus adquiridos para operar na capital não chegaram a entrar em circulação e, posteriormente, foram destinados às cidades de São Paulo e também para operação na Argentina.
Com o abandono da proposta, a infraestrutura construída na Avenida Cristiano Machado foi adaptada para a implantação de corredores exclusivos para ônibus convencionais. Anos depois, esses corredores passaram por novas adequações para receber o sistema BRT, que atualmente integra a rede de transporte coletivo da capital.
A homologação da licitação para a compra de 100 novos ônibus elétricos marca, portanto, uma nova tentativa de Belo Horizonte de incorporar a eletrificação ao transporte público, desta vez utilizando uma tecnologia diferente da adotada pelos antigos trólebus e acompanhada de investimentos em infraestrutura de recarga para a nova frota.

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
