Oficina de Xadrez

Xadrez nas escolas de BH ganha reconhecimento nacional do Ministério da Educação

Oficina do Programa Escola Integrada está entre as experiências inspiradoras de educação integral do Brasil e atende cerca de 5,3 mil estudantes em 19 escolas municipais

A oficina de xadrez da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte foi selecionada entre as experiências inspiradoras de educação integral do Brasil pelo Ministério da Educação (MEC). A iniciativa integra o Programa Escola Integrada, da Secretaria Municipal de Educação (Smed), e atende aproximadamente 5,3 mil estudantes do 1º ao 9º ano do ensino fundamental em 19 escolas municipais da capital.

O reconhecimento ocorreu por meio do Edital Mapa de Experiências 2026, que reúne iniciativas de gestão e projetos pedagógicos desenvolvidos em escolas públicas de diferentes regiões do país.

Além de estimular o raciocínio lógico, a concentração e o planejamento, a prática do xadrez contribui para o desenvolvimento da autonomia, da capacidade de tomar decisões, do respeito às regras e da convivência entre os estudantes.

Projeto tem mais de uma década na rede municipal

A trajetória das oficinas de xadrez nas escolas municipais começou entre 2012 e 2013. O incentivo inicial da Federação Mineira de Xadrez (FMX) contribuiu para a implantação da modalidade na rede pública de ensino.

Desde então, a iniciativa passou a integrar as atividades de educação integral, com a participação de estudantes em torneios escolares. Algumas dessas competições chegaram a reunir aproximadamente 200 alunos em partidas simultâneas.

As oficinas são realizadas no contraturno das aulas regulares, com acompanhamento de monitores do Programa Escola Integrada.

A experiência também chegou a algumas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis), com propostas pedagógicas adaptadas para crianças de 3 a 5 anos.

Escolas municipais participam de torneios

Entre as unidades que desenvolvem atividades de xadrez está a Escola Municipal Gracy Vianna Lage, onde a modalidade integra uma oficina permanente do Programa Escola Integrada.

A escola utiliza recursos pedagógicos e lúdicos para trabalhar habilidades como raciocínio lógico, concentração e socialização.

Já a Escola Municipal Carlos Góis prevê a participação de estudantes em torneios em Nova Lima e no Campeonato Mineiro de Xadrez Escolar de 2026, organizado pela Federação Mineira de Xadrez.

A competição está prevista para 14 de novembro, com disputas masculinas e femininas, envolvendo estudantes do 1º ano do ensino fundamental à 3ª série do ensino médio.

Outras unidades municipais também desenvolvem projetos e oficinas de xadrez, entre elas as escolas Dulce Maria Homem, Júlia Paraíso, Maria de Magalhães Pinto, Professor Amílcar Martins e Adauto Lúcio Cardoso.

Xadrez como ferramenta de aprendizagem

O professor de matemática André Luiz Oliveira é uma das referências técnicas da iniciativa na Rede Municipal de Educação. Enxadrista desde os 9 anos, ele atua no incentivo à modalidade nas escolas.

Instrutor graduado pela Federação Mineira de Xadrez, com pós-graduação pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e titulação de árbitro pela Confederação Brasileira de Xadrez (CBX), André Luiz contribui para a integração do jogo às atividades pedagógicas.

Para o professor, o xadrez vai além da competição e representa uma ferramenta de aprendizagem.

“Enxergar o xadrez como recurso pedagógico é entender que o lúdico e o pensar caminham juntos no processo de ensino e aprendizagem nas escolas. Cada partida exercita a paciência, o planejamento e a resiliência, habilidades essenciais não apenas para o desempenho escolar, mas para a formação integral dos nossos estudantes”, destaca.

Reconhecimento valoriza a educação pública municipal

A seleção da oficina no Mapa de Experiências 2026 reconhece um trabalho desenvolvido há mais de uma década nas escolas municipais de Belo Horizonte.

A iniciativa demonstra como atividades realizadas no contraturno escolar podem ampliar as oportunidades educativas, estimular habilidades cognitivas e fortalecer a convivência entre crianças e adolescentes.

Com aproximadamente 5,3 mil estudantes atendidos, o projeto consolida o xadrez como uma ferramenta pedagógica da educação integral na rede pública municipal.