Na Era da IA, Inclusão Digital Crítica é Fundamental, Defende Educadora

Importância do Pensamento Crítico na Inclusão Digital

Na contemporaneidade, onde a tecnologia avança a passos largos, a introdução de recursos digitais nas escolas não deve ocorrer de forma indiscriminada. A educadora Daniela Costa, consultora da Unesco para o Brasil, afirma que a inclusão digital precisa transcender a simples disponibilidade de ferramentas tecnológicas, incorporando uma abordagem crítica e significativa. Essa perspectiva foi reforçada durante o 4º Encontro de Educadores do Século XXI, no Rio de Janeiro, onde Daniela Costa destacou a necessidade de não apenas prover tecnologia, mas também de educar os estudantes para seu uso consciente e crítico.

A educadora enfatiza que o pensamento crítico é essencial na atual era digital. É fundamental que alunos e professores sejam capacitados a usar tecnologias como a inteligência artificial (IA) de maneira que agregue valor real ao processo educacional. Tecnologia sem propósito claro pode ser mais prejudicial do que benéfica, desviando a atenção dos alunos e comprometendo a qualidade do aprendizado.

Impacto da Tecnologia na Educação Global e Local

Daniela Costa apresentou dados reveladores sobre o impacto da tecnologia na educação a nível global. Na China, a disseminação de aulas de alta qualidade para estudantes rurais resultou em uma melhora significativa nos resultados acadêmicos, além de reduzir a desigualdade salarial entre zonas urbanas e rurais. Este exemplo positivo ressalta o potencial da tecnologia em transformar a educação quando usada de maneira estratégica.

Contudo, Daniela também alertou para os desafios associados ao uso indiscriminado de dispositivos digitais. Por exemplo, a simples presença de um celular em sala de aula tem o potencial de distrair os alunos e impactar negativamente o aprendizado, um fenômeno observado em 14 países, incluindo o Brasil. O uso excessivo de tecnologia sem controle pode resultar em uma correlação negativa com o desempenho acadêmico.

Legislação e Uso de Tecnologias nas Escolas Brasileiras

O Brasil tem avançado em termos de regulação do uso de celulares nas escolas. A Lei Federal 15.100, de 2025, proíbe o uso desses dispositivos durante as aulas, recreios ou intervalos. Apesar dessa medida, a aplicação da lei varia conforme o nível de ensino. No início de 2026, 51% das escolas proibiam os alunos de levarem celulares, mas essa porcentagem cai para 31% no ensino médio. Esse cenário mostra como a regulamentação pode ser um mecanismo eficaz de controle, mas que precisa ser ajustada para cada contexto educacional específico.

A presença de regras ajuda a minimizar distrações em ambientes de aprendizado, mas também exige que educadores estejam preparados para orientar os alunos sobre o uso responsável das tecnologias.

Ferramentas Digitais Predominantes na Pesquisa Escolar

No ambiente escolar, estudantes de ensino médio têm explorado amplamente vídeos online, como os disponíveis no YouTube e TikTok, para realizar pesquisas escolares. Esses recursos são utilizados por 89% dos alunos, sinalizando uma mudança na forma como a informação é consumida e processada. A preferência por vídeos em detrimento de outras fontes mais tradicionais de pesquisa ilustra uma transição para uma abordagem mais visual do aprendizado.

Além dos vídeos, sites de busca como o Google permanecem populares, utilizados por 88% dos estudantes. Outros recursos incluem blogs e a Wikipédia (72%) e plataformas de inteligência artificial (70%). Livros digitais, embora menos utilizados, ainda têm uma presença significativa com 65%. Essa diversidade de ferramentas digitais sublinha a necessidade de orientar os alunos sobre a veracidade e a confiabilidade das informações que encontram online.

O Papel dos Professores e a Formação Contínua

Os professores desempenham um papel crucial na mediação do uso de tecnologias digitais na educação. Dados do Cetic.br indicam que a orientação dos professores sobre o uso adequado da tecnologia aumentou de 44% em 2022 para 56% em 2024. Apesar desse avanço, a formação continuada dos docentes em tecnologias educacionais tem diminuído, com uma redução de 65% em 2021 para 54% em 2024.

Daniela Costa destacou que a sociedade deve valorizar e apoiar o desenvolvimento profissional contínuo dos educadores. A pandemia expôs a necessidade urgente de integrar a tecnologia na educação, mas o impulso inicial parece ter diminuído. Para que a educação acompanhe as rápidas transformações tecnológicas, é essencial investir em formação continuada para professores.

Conclusão: O Futuro da Educação na Era Digital

A discussão sobre tecnologia na educação vai além da simples inclusão digital. O futuro da educação na era da inteligência artificial depende de uma abordagem crítica e significativa, que capacite estudantes e professores a utilizarem a tecnologia de forma responsável e eficaz. A educadora Daniela Costa reforça que a sociedade deve se comprometer com o fortalecimento do papel dos professores, que são fundamentais para a educação e desenvolvimento integral dos estudantes.

A tecnologia tem o potencial de reduzir desigualdades e melhorar o ensino, mas necessita de uma aplicação deliberada e crítica para evitar efeitos negativos. A educação do futuro deve ser um equilíbrio entre inovação tecnológica e práticas pedagógicas tradicionais, sempre com foco no desenvolvimento crítico dos alunos.

Não existe uma sociedade sem escolas, não existe uma sociedade sem professores, não existe educação e desenvolvimento integral dos estudantes sem esses elementos.