Mulheres empreendedoras

Independência financeira é fator chave para rompimento do ciclo de violência

A Importância da Autonomia Financeira para Mulheres

Na quinta-feira, 14 de maio, uma audiência pública promovida pela Comissão de Mulheres reuniu lideranças femininas de diversos setores em Belo Horizonte. O foco central do encontro foi o debate sobre a independência financeira das mulheres como ferramenta crucial para romper ciclos de violência doméstica.

Conduzida pela vereadora Marcela Trópia (Novo), a reunião destacou como a autonomia econômica pode proporcionar às mulheres a liberdade de deixar relacionamentos abusivos. A dependência financeira é frequentemente um obstáculo que mantém mulheres presas a seus agressores, e ter acesso a recursos próprios pode representar um caminho para a liberdade.

Iniciativas de Apoio ao Empreendedorismo Feminino

O Projeto de Lei (PL) 288/2025, aprovado recentemente, foi discutido como uma ferramenta potencial para empoderar mulheres empreendedoras em Belo Horizonte. O programa Mulher Empreendedora, proposto no PL, tem como metas principais capacitar, financiar e formalizar negócios liderados por mulheres.

Trópia destacou os desafios do empreendedorismo no Brasil, agravados pela burocracia e dificuldades de crédito. Para mulheres, esses obstáculos são ainda mais significativos. O projeto busca simplificar o processo de abertura e manutenção de negócios, oferecendo suporte para que as empreendedoras possam prosperar de maneira sustentável.

Experiências de Outras Cidades e Iniciativas Locais

Representantes de outras cidades mineiras compartilharam suas experiências em promover a emancipação econômica feminina. Em Betim, a secretária Marcela Lorhana falou sobre a simplificação dos negócios, enquanto em Carmópolis de Minas, a vereadora Tirzah Freitas discutiu a importância de políticas como a Lei de Liberdade Econômica.

Em Belo Horizonte, Rosane Corgosinho da SMDE mencionou iniciativas como a Jornada Empreendedora em parceria com o Sebrae. Apesar das boas práticas, a representante apontou limitações devido ao orçamento reduzido da secretaria, sugerindo que esta poderia ser um ponto focal para o programa Mulher Empreendedora.

A Relação entre Saúde Emocional e Empoderamento Econômico

Amanda Oliveira, fundadora da Nação Valquírias, ressaltou que para iniciar um negócio, é vital que as mulheres trabalhem sua saúde emocional. Muitas dessas mulheres carregam consigo histórias de violência e pobreza, que são apenas sintomas de problemas mais profundos.

Isabella Pedersoli, diretora de Políticas para as Mulheres, corroborou que a violência doméstica frequentemente afeta a saúde mental, dificultando a inserção das mulheres no mercado de trabalho. Ela destacou iniciativas como o Centro Benvinda e cursos de formação gastronômica como apoio para essas mulheres.

Desafios e Testemunhos Emocionantes

Um momento marcante da reunião foi o depoimento de Adriane Cristina da Cruz, mãe de uma criança com deficiência que enfrentou dificuldades para se reinserir no mercado de trabalho após a morte de seu filho. Ela descreveu o sentimento de abandono e a falta de políticas públicas de apoio.

As vereadoras presentes reconheceram as falhas do sistema e se comprometeram a trabalhar em prol de mudanças significativas. Houve ainda a sugestão da criação de uma secretaria exclusiva de políticas para mulheres em Belo Horizonte, proposta que recebeu apoio das parlamentares.

“A independência financeira não é só sobre dinheiro, é sobre esse direito de poder dizer não à violência e sim à própria vida” – Trópia