Levantamento da Fundação Ipead mostra aumento no custo da cesta básica em Belo Horizonte, enquanto IPCA-BH e IPCR-BH registram desaceleração no mês de abril
A cesta básica em Belo Horizonte ficou mais cara em abril de 2026, segundo levantamento divulgado pela Fundação Ipead, da UFMG. O custo dos 13 produtos que compõem a cesta subiu 0,86% no período e chegou a R$ 767,64. Apesar da alta mensal, os dados mostram melhora no poder de compra do salário mínimo em comparação com o mesmo período do ano passado.
De acordo com o levantamento, o custo da cesta básica em BH representou 47,36% do salário mínimo em abril deste ano. Em abril de 2025, essa proporção era de 50,89%, com a cesta custando R$ 4,81 a mais do que atualmente. O resultado indica ganho no poder de compra do trabalhador ao longo dos últimos 12 meses.
Além disso, o acumulado da cesta básica em 2026 registra alta de 3,35%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, houve recuo de 0,62%.
Produtos que mais subiram e mais caíram em abril
Entre os itens da cesta básica pesquisados pela Fundação Ipead, sete apresentaram queda nos preços durante abril. As maiores reduções foram registradas na banana caturra, que caiu 13,84%, no feijão carioquinha, com queda de 11,25%, e no café moído, que teve redução de 7,08%.
Por outro lado, alguns produtos tiveram aumento expressivo no período. A manteiga liderou as altas, com avanço de 7,66%. Em seguida aparecem o chã de dentro, que subiu 5,65%, e o pão francês, com alta de 4,14%.
Segundo os dados do levantamento, os itens que mais pressionaram o custo da cesta básica em abril foram o chã de dentro, responsável por impacto de 1,98 ponto percentual, o pão francês, com contribuição de 0,70 ponto percentual, e a manteiga, com 0,45 ponto percentual.
Inflação em Belo Horizonte desacelera em abril
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo de Belo Horizonte (IPCA-BH) registrou alta de 0,28% em abril de 2026. O resultado representa desaceleração em relação à quadrissemana anterior, quando o índice havia alcançado 0,66%, e também frente ao mesmo período de março, que registrou 0,47%.
No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-BH soma alta de 3,41%.
Já o Índice de Preços ao Consumidor Restrito (IPCR-BH), que considera os gastos de famílias com renda de até cinco salários mínimos, apresentou aumento de 0,46% em abril. O índice também desacelerou em comparação à quadrissemana anterior, que havia sido de 0,78%, e ao mesmo período de março, quando marcou 0,77%.
Nos últimos 12 meses, o IPCR-BH acumula crescimento de 3,35%.
Alimentação teve estabilidade no IPCA-BH
O grupo Alimentação apresentou variação de apenas 0,06% em abril no IPCA-BH, mantendo relativa estabilidade nos preços. Dentro desse grupo, o destaque foi o subgrupo Alimentação na residência, que registrou alta de 0,32%.
Ainda segundo o levantamento, a maioria dos itens de alimentação apresentou queda nos preços ao longo do mês. Os alimentos in natura tiveram redução de 2,13%, enquanto os alimentos industrializados recuaram 0,96%.
Por outro lado, os alimentos em elaboração primária cresceram 3,63%, movimento impulsionado principalmente pelo aumento de 7,19% no preço do leite.
O grupo Produtos não alimentares teve alta de 0,32%, com destaque para Habitação, que avançou 0,57%.
Passagem aérea teve maior queda entre os itens pesquisados
Entre os itens com maiores altas de preços em abril no IPCA-BH aparecem computador completo, com aumento de 13,84%, leite, com 7,19%, e aniversário (festa), com 4,54%.
Já as maiores quedas foram registradas em passagem aérea, que caiu 24,59%, café em pó, com redução de 7,10%, e móvel para quarto, com recuo de 4,39%.
Os produtos que mais contribuíram para a alta da inflação em Belo Horizonte foram gasolina comum, leite e computador completo. Em contrapartida, passagem aérea, café em pó e móvel para quarto ajudaram a conter o avanço do índice no mês.
Famílias de menor renda sentiram impacto maior em habitação
No IPCR-BH, que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos, o grupo Alimentação subiu 0,33% em abril, contribuindo com 0,07 ponto percentual para o índice geral.
Já os Produtos não alimentares avançaram 0,50%, respondendo por 0,39 ponto percentual do indicador. O principal destaque foi novamente o grupo Habitação, que registrou aumento de 0,98%.
Entre os itens que mais pressionaram o IPCR-BH estão computador completo, leite e óleo diesel. Por outro lado, bicicleta, câmera digital e automóvel usado contribuíram para a redução do índice.
Cesta básica e inflação refletem cenário de consumo em BH
Os dados divulgados pela Fundação Ipead mostram um cenário de desaceleração da inflação em Belo Horizonte, mesmo com a alta registrada na cesta básica em abril. A redução nos preços de itens importantes da alimentação, como banana, feijão e café, ajudou a conter um avanço maior no custo de vida.
Ao mesmo tempo, o levantamento indica que o salário mínimo ganhou poder de compra em relação à cesta básica no comparativo anual. O resultado é considerado relevante principalmente para famílias de menor renda, que destinam parcela significativa do orçamento para alimentação e despesas básicas.
Além disso, a desaceleração dos índices IPCA-BH e IPCR-BH sinaliza uma redução no ritmo de aumento dos preços na capital mineira, embora setores como habitação e alguns alimentos ainda apresentem pressão sobre o orçamento doméstico.

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
