Medida da Prefeitura amplia estrutura da rede SUS-BH diante do aumento de atendimentos por doenças respiratórias e da previsão de pico de casos nas próximas semanas
A Prefeitura de Belo Horizonte decretou nesta sexta-feira (10) situação de emergência em saúde pública em razão do aumento de casos de doenças respiratórias na capital mineira. A decisão foi anunciada para reforçar a assistência prestada à população usuária da rede SUS-BH e ampliar a capacidade de resposta do sistema municipal de saúde diante da crescente procura por atendimentos nas unidades da cidade.
Segundo a administração municipal, a medida foi adotada com base na tendência de aumento dos atendimentos relacionados a doenças respiratórias, que pode resultar em pico de casos entre as semanas epidemiológicas 16 e 17, período compreendido entre os dias 19 de abril e 2 de maio. A projeção levou o município a antecipar ações emergenciais para enfrentar a sazonalidade típica deste período do ano.
Decreto de emergência amplia acesso a recursos e contratações
Com o decreto de situação de emergência, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) poderá ampliar o acesso a recursos dos governos federal e estadual. A iniciativa também permitirá maior agilidade administrativa para contratação de profissionais da saúde, aquisição de equipamentos, compra de medicamentos e insumos, além da implementação de novos serviços de atendimento à população.
Outra medida prevista é a ampliação do horário de funcionamento das unidades de saúde, estratégia que busca desafogar centros de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), atualmente pressionados pela alta demanda provocada pelos quadros respiratórios.
O prefeito Álvaro Damião destacou que o problema não é exclusivo de Belo Horizonte e relacionou o cenário à mudança climática registrada na cidade nesta época do ano.
“Estamos com um problema que não é só de Belo Horizonte. É o momento em que muda o clima na cidade. Hoje nós temos uma superlotação, praticamente, em vários centros de saúde e Upas por causa das doenças respiratórias. Então, a partir de hoje, nós vamos assinar um decreto de urgência de saúde”, afirmou.
Além disso, o chefe do Executivo municipal reforçou o pedido para ampliação da cobertura vacinal entre a população.
“Vacinem suas crianças, se vacinem, quanto mais vacinados tivermos, menos chances de precisar frequentar uma UPA ou um centro de saúde, por causa de doenças respiratórias”, acrescentou.
Mais de 112 mil atendimentos por sintomas respiratórios em 2026
Dados da Prefeitura mostram que, somente em 2026, já foram realizados cerca de 112 mil atendimentos de pessoas com sintomas de doenças respiratórias nos 153 centros de saúde e nas nove UPAs da capital.
As faixas etárias que mais procuraram atendimento médico até o momento foram:
- Faixas com maior número de atendimentos:
- Pessoas de 20 a 39 anos: pouco mais de 15 mil atendimentos;
- Pessoas de 40 a 59 anos: cerca de 11 mil atendimentos.
O secretário municipal de Saúde, Miguel Paulo Duarte Neto, explicou que o aumento da demanda já era esperado em função da sazonalidade das doenças respiratórias.
“Esse aumento da busca por cuidados nas nossas unidades já era esperado para esse período de sazonalidade de doenças respiratórias. Por isso, estamos implementando as ações necessárias ao enfrentamento desse período. A decretação da situação de emergência nos permite ampliar a capacidade de resposta da rede SUS-BH, garantindo assistência oportuna à população”, afirmou.
Internações também registram alta demanda
Além do crescimento dos atendimentos ambulatoriais, Belo Horizonte também registra aumento significativo nos pedidos de internação hospitalar. Até agora, foram contabilizadas mais de 3,7 mil solicitações de internação.
Os idosos com 60 anos ou mais representam a maior parcela dessa demanda, com mais de 1,8 mil pedidos por leitos hospitalares. Em seguida aparecem pessoas entre 40 e 59 anos, com quase 600 solicitações.
O dado reforça a preocupação da administração municipal com os grupos mais vulneráveis, especialmente idosos, público considerado de maior risco para complicações respiratórias graves.
Teleconsultas e vacinação reforçam estratégia de prevenção
Como parte das ações para ampliar o acesso aos serviços de saúde e reduzir a pressão sobre atendimentos presenciais, a Secretaria Municipal de Saúde disponibiliza teleconsultas de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, voltadas para casos clínicos leves, incluindo sintomas respiratórios.
O agendamento pode ser realizado de forma on-line por meio do portal da Prefeitura de Belo Horizonte.
Paralelamente, o município também antecipou a Campanha de Vacinação contra a Gripe para os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde.
Segundo o secretário municipal, a imunização é fundamental para reduzir complicações, internações e óbitos, especialmente entre públicos mais vulneráveis.
Quem pode receber a vacina contra a gripe:
- Crianças de 6 meses a menores de 6 anos;
- Gestantes;
- Idosos com 60 anos ou mais;
- Puérperas de até 45 dias após o parto;
- Trabalhadores da saúde;
- Pessoas com deficiência permanente;
- Caminhoneiros, entre outros grupos prioritários.
Também segue disponível na rede municipal a vacinação contra a covid-19 para públicos específicos, incluindo crianças pequenas, gestantes, idosos e integrantes de grupos prioritários.
Já as gestantes a partir da 28ª semana de gravidez podem receber a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), apontado como um dos principais causadores de bronquiolite em bebês. A imunização é aplicada em dose única, com recomendação de nova aplicação a cada gestação.
Medida busca evitar colapso na rede pública
O decreto de emergência por doenças respiratórias em Belo Horizonte surge como uma estratégia preventiva para evitar sobrecarga ainda maior na rede pública de saúde nas próximas semanas. Com a previsão de crescimento dos casos até o início de maio, a Prefeitura aposta na ampliação estrutural da rede SUS-BH e na vacinação como principais ferramentas para enfrentar o cenário.
A medida também evidencia a pressão sazonal enfrentada anualmente pelo sistema de saúde durante períodos de mudança climática, quando aumenta a circulação de vírus respiratórios e cresce a procura por atendimento médico em toda a cidade.

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
