Receita Federal/divulgação

Anvisa intensifica monitoramento de efeitos das canetas emagrecedoras

Preocupações com o uso indiscriminado

A crescente popularidade das chamadas canetas emagrecedoras tem preocupado autoridades de saúde no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu implementar um Plano de Farmacovigilância Ativa para monitorar de maneira mais eficaz os potenciais efeitos colaterais desses medicamentos. A medida foi anunciada pela diretoria da agência em resposta ao aumento de relatos de uso inadequado das canetas, muitas vezes em situações que não estão previstas na bula dos produtos.

Ao invés de depender apenas dos relatos voluntários de médicos e pacientes, a Anvisa adotará uma estratégia mais proativa. Em parceria com estabelecimentos de saúde, a agência pretende realizar um monitoramento sistemático para identificar possíveis efeitos adversos dos medicamentos agonistas do receptor do GLP‑1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras.

Dados alarmantes

Entre 2018 e março de 2026, foram registradas quase 3 mil notificações de eventos adversos associados a esses medicamentos no Brasil. O número é preocupante especialmente em 2025, com uma predominância de casos relacionados ao uso da semaglutida. Esse cenário alarmante impulsionou a Anvisa a tomar medidas mais rigorosas.

Thiago Lopes Cardoso Campos, diretor da Anvisa, frisou que esses medicamentos têm benefícios comprovados para o tratamento do diabetes e da obesidade. No entanto, o uso se expandiu para além das indicações aprovadas, muitas vezes sem acompanhamento médico adequado, o que pode levar a complicações graves.

Riscos do mercado clandestino

O aumento na demanda por canetas emagrecedoras também resultou em uma proliferação de produtos falsificados e de origem duvidosa, que circulam de maneira clandestina. A venda de medicamentos irregulares é crime de acordo com o artigo nº 273 do Código Penal, e representa um risco sanitário significativo.

Campos alertou que medicamentos falsificados podem não garantir esterilidade, qualidade, dosagem ou eficácia, expondo os usuários a graves eventos adversos e potenciais danos irreversíveis à saúde.

Colaboradores e parcerias estratégicas

O novo plano de monitoramento da Anvisa é parte de um esforço mais amplo para fortalecer a farmacovigilância dos medicamentos agonistas do receptor do GLP-1. Isso inclui a colaboração com a Rede Sentinela, que abrange serviços de saúde, instituições de ensino e pesquisa, e outros estabelecimentos relacionados à saúde.

A ação também conta com a participação da HU Brasil, que integra hospitais universitários em todo o país, e com um acordo de cooperação com a Polícia Federal para reforçar ações conjuntas de fiscalização e segurança.

Importância do monitoramento pós-comercialização

Para a Anvisa, é crucial não apenas registrar novos medicamentos, mas também acompanhar seu comportamento no mercado. Essa fase pós-comercialização permite identificar riscos raros ou tardios que possam surgir em situações específicas de uso.

Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, destacou que o interesse crescente nas canetas emagrecedoras demanda uma resposta coordenada e cuidadosa da agência reguladora. Ele afirma que o modelo de farmacovigilância ativa é essencial para detectar precocemente eventos adversos, qualificar as informações e ampliar a análise de riscos associados ao uso indiscriminado desses medicamentos.

Não basta registrar medicamentos. É indispensável acompanharmos como eles se comportam na vida real.

Ano Notificações de Eventos Adversos
2018 123
2019 145
2020 189
2021 231
2022 305
2023 417
2024 567
2025 988
2026 300 (até março)