Hospital Célio de Castro amplia doação de córneas, acelera transplantes e fortalece a assistência pública de saúde em Belo Horizonte
O Hospital Metropolitano Doutor Célio de Castro realizou a primeira captação de córneas 100% autônoma em um doador que foi a óbito por parada cardíaca. A iniciativa marca um novo momento para a assistência pública de saúde e representa um avanço na ampliação do acesso aos transplantes de córnea. A primeira captação realizada integralmente pela equipe da unidade ocorreu em 1º de junho de 2026.
A conquista permite mais agilidade no processo de doação de tecidos e fortalece a capacidade da rede municipal de saúde de contribuir para a redução da fila de espera por transplantes. Além disso, amplia as possibilidades de atendimento para pessoas que aguardam há anos pela oportunidade de recuperar a visão.
Autonomia amplia capacidade de doação de córneas
Até então, as captações de córneas no Hospital Célio de Castro dependiam da atuação da equipe do Banco de Tecidos Oculares do Hospital João XXIII e estavam restritas aos casos de doadores com diagnóstico de morte encefálica.
Com a habilitação de uma equipe própria para realizar o procedimento em situações de morte por parada cardíaca, o hospital passa a atuar com maior autonomia no processo de captação. A mudança fortalece a rede de transplantes e amplia a capacidade de atendimento aos pacientes que aguardam por uma córnea.
A autonomia conquistada pela unidade também contribui para acelerar etapas operacionais que antes dependiam da disponibilidade de equipes externas. Como resultado, mais doações podem ser viabilizadas dentro do prazo adequado para a preservação dos tecidos.
Profissionais capacitados para realizar o procedimento
Atualmente, três enfermeiros do Hospital Célio de Castro estão capacitados para executar a enucleação, procedimento cirúrgico que consiste na retirada do globo ocular do doador para posterior aproveitamento das córneas destinadas aos transplantes.
Segundo o hospital, todo o processo é conduzido com cuidado, respeito e sensibilidade. Após a retirada do globo ocular, é utilizada uma prótese de reconstrução com o objetivo de preservar a aparência da pessoa doadora. A medida busca garantir dignidade ao doador e acolhimento às famílias durante o período de luto.
A preparação dos profissionais e a organização do Serviço de Enucleação foram fundamentais para que a unidade alcançasse a capacidade de realizar a captação de forma independente.
Número de córneas captadas cresce em 2026
Antes mesmo da primeira captação totalmente autônoma, o Hospital Célio de Castro já vinha contribuindo para o sistema de transplantes por meio da parceria com o Banco de Tecidos Oculares do Hospital João XXIII.
Ao longo de 2026, a unidade participou da captação de 22 córneas. Desse total, 20 foram obtidas em situações de parada cardíaca e duas em casos de morte encefálica.
Com a realização da primeira captação autônoma em junho, o número total de córneas captadas pelo hospital chegou a 24.
Os dados demonstram o potencial de crescimento da contribuição da unidade para a ampliação da oferta de tecidos destinados aos transplantes, especialmente em um contexto de alta demanda por córneas.
Fila de espera por transplante ultrapassa três anos
O avanço ocorre em um cenário de grande necessidade por transplantes de córnea. Antes da pandemia da Covid-19, o tempo de espera para a realização desse procedimento variava entre um e três meses.
Entretanto, a suspensão das captações durante o período da emergência sanitária provocou um aumento significativo da fila de espera.
Atualmente, o tempo para receber um transplante de córnea ultrapassa três anos, evidenciando a importância de iniciativas que ampliem a capacidade de captação e disponibilização de tecidos para transplante.
Nesse contexto, cada nova doação representa uma oportunidade concreta para reduzir o tempo de espera e beneficiar pessoas que dependem do procedimento para recuperar a visão e a autonomia em suas atividades diárias.
Acolhimento às famílias é parte fundamental do processo
A primeira autorização familiar concedida nesta nova fase da captação autônoma foi considerada um marco para o hospital. Mais do que uma doação, o gesto representa a possibilidade de transformar vidas por meio dos transplantes.
O trabalho relacionado à doação de órgãos e tecidos é conduzido pela equipe multiprofissional da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIDOHTT).
A comissão atua oferecendo escuta qualificada, acolhimento e suporte às famílias em um momento marcado pela dor da perda. O hospital ressalta que a abordagem ocorre sempre com respeito e sensibilidade.
Cabe à instituição apresentar a possibilidade da doação, garantindo que a decisão seja tomada livremente pelos familiares. De acordo com o hospital, não há qualquer tipo de julgamento em relação à escolha realizada.
Impacto para a saúde pública
A primeira captação de córneas 100% autônoma realizada pelo Hospital Célio de Castro representa um avanço importante para a rede pública de saúde. A iniciativa amplia a capacidade operacional da unidade, fortalece o sistema de transplantes e cria condições para que mais pessoas sejam beneficiadas pela doação de tecidos.
Em um cenário de longa espera por transplantes de córnea, a ampliação da autonomia dos serviços hospitalares pode contribuir diretamente para aumentar o número de procedimentos realizados e oferecer novas perspectivas para pacientes que aguardam a recuperação da visão.

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
