Um ano de regulamentação
No dia 13 de janeiro de 2026, completou um ano que a Lei nº 15.100/2025 entrou em vigor, restringindo o uso de celulares nas escolas brasileiras. A legislação foi elaborada com o intuito de minimizar distrações no ambiente escolar, fomentar o engajamento em atividades pedagógicas e coibir o uso inadequado de dispositivos eletrônicos por parte dos alunos.
A preocupação com o uso excessivo desses dispositivos tem crescido entre educadores, pais e autoridades. O Ministério da Educação (MEC) já anunciou que, no primeiro semestre de 2026, realizará uma pesquisa nacional para avaliar os desdobramentos dessa lei. O objetivo é entender como a norma foi adotada em diferentes sistemas de ensino e quais são seus impactos no ambiente escolar.
A iniciativa surge em um contexto de crescente preocupação com os efeitos negativos do uso descontrolado de celulares entre os jovens. Estudos indicam que o uso excessivo pode acarretar problemas de ansiedade, déficit de atenção e outros distúrbios mentais, especialmente entre crianças e adolescentes.
Benefícios percebidos
O ministro da Educação, Camilo Santana, destaca que restringir o uso de celulares nas escolas tem trazido benefícios significativos para os estudantes.
“O brasileiro passa, em média, nove horas e 13 minutos em frente a uma tela. Somos o segundo país no mundo que mais tempo fica na frente de uma tela. Isso é um prejuízo muito grande para crianças e adolescentes, causando ansiedade, déficit de atenção, transtornos e distúrbios mentais”, enfatiza o ministro.
Para muitos estudantes, esse movimento gerou inicialmente resistência, mas os benefícios logo foram percebidos. Nicolas Lima, um aluno do ensino médio de 15 anos, relata que a mudança foi positiva. Ele explica que, sem o celular, a interação com colegas aumentou e a concentração nas aulas melhorou.
“Percebi que não foi tão ruim assim. Logo no primeiro dia de aula, consegui fazer um amigo, porque eu me aproximei. Também percebi que a minha concentração melhorou muito durante as aulas”, compartilha o estudante.
A mãe de Nicolas, Cibele Lima, também notou os efeitos positivos da restrição. “Estava acostumada a poder conversar com meus filhos no WhatsApp na escola, mas hoje vejo que melhorou muito. Foi bom pra ele perceber que ele pode fazer amizades, que essa timidez não é uma condição fixa. Mas é algo que pode ser mudado quando a gente tem outro olhar e quando sai das telas”, relata Cibele, destacando a transformação social e emocional observada em seu filho.
Reações dos educadores
Educadores também têm observado mudanças significativas no comportamento dos alunos. A atenção e a participação em sala de aula aumentaram. Antes, era comum que estudantes recorressem aos celulares para fotografar o quadro, mas a prática tornou-se inviável, levando-os a escrever, registrar e interagir mais.
A psicóloga e mestre em saúde pública, Karen Scavacini, também vê potencial no uso controlado de celulares como ferramentas educacionais. Ela acredita que, quando utilizados de forma transdisciplinar, esses dispositivos podem promover o aprendizado crítico e ético.
“O celular pode ser uma ferramenta muito educativa e potente quando ele é utilizado de forma transdisciplinar. Ele permite produção de conteúdo, leitura crítica de informações, e é um recurso importante para trabalhar educação midiática”, explica Karen.
Apesar dos desafios iniciais, as escolas têm recebido apoio do MEC para implementar a norma. Ferramentas como guias práticos, planos de aula e materiais de apoio têm sido disponibilizados para auxiliar educadores e alunos na adaptação a essa nova realidade.
Perspectivas futuras
A pesquisa proposta pelo MEC visa aprofundar o entendimento sobre os impactos da restrição ao uso de celulares nas escolas e poderá guiar futuras políticas educacionais. Ao compreender as experiências das diversas comunidades escolares, o Ministério espera ajustar a norma para maximizar seus benefícios e minimizar eventuais prejuízos.
A discussão sobre o uso de tecnologia na educação é complexa. Enquanto alguns veem os dispositivos como distrações, outros os consideram ferramentas valiosas para o engajamento e a aprendizagem dos estudantes. A chave, segundo especialistas, é encontrar um equilíbrio que permita a integração eficaz da tecnologia no ambiente escolar.
Com a pesquisa programada para o primeiro semestre do ano, espera-se que os resultados iluminarão o debate sobre como melhor equilibrar o uso de tecnologia nas escolas, buscando sempre um ambiente que favoreça o aprendizado e o desenvolvimento integral dos alunos.
“O celular pode ser uma ferramenta muito educativa e potente quando ele é utilizado de forma transdisciplinar.” – Karen Scavacini
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
