cine-santa-tereza_ricardo-laf

Mostra Inclusiva Lais movimenta o Cine Santa Tereza com curtas acessíveis e programação gratuita

Evento reúne 11 produções nacionais com libras e audiodescrição e reforça inclusão no audiovisual

A Mostra Inclusiva Lais chega à sua 3ª edição neste fim de semana no Cine Santa Tereza, principal palavra-chave desta reportagem. A iniciativa, realizada pela produtora Opalmas e com curadoria de Bárbara Sturm, acontece no sábado, 29, às 19h, e no domingo, 30, às 16h30. O público terá acesso gratuito às sessões mediante retirada antecipada pelo Sympla ou diretamente na bilheteria do cinema 30 minutos antes de cada exibição.

O evento tem como foco promover a produção, a circulação e a premiação de curtas-metragens alinhados à inclusão social. Surgiu com a proposta de ampliar o acesso ao cinema, oferecendo obras com Libras e audiodescrição. O nome “Lais” é justamente uma combinação dessas quatro palavras: Libras, Audiodescrição, Inclusão e Social. A programação é voltada ao público geral e inclui pessoas com deficiência visual e auditiva.

Mostra Inclusiva Lais destaca acessibilidade e protagonismo feminino

Nesta 3ª edição, o Cine Santa Tereza projeta 11 curtas-metragens nacionais, todos acessíveis com audiodescrição e libras. Outro ponto marcante é a participação das mulheres na direção: 70% dos filmes presentes na seleção são assinados por realizadoras brasileiras.

A mostra reúne obras que tratam de temas sociais, relações familiares, trajetórias de vida e enfrentamentos cotidianos. As narrativas transitam entre ficção, documentário, drama e animação, sempre buscando ampliar o debate sobre diversidade e inclusão no audiovisual.

Temas humanos e histórias que dialogam com o dia a dia

Entre os destaques, estão produções que exploram afetos, desafios emocionais e tensões sociais. A ficção “Americana”, dirigida por Agarb Braga, mergulha em relações familiares e conflitos que se desenvolvem no cotidiano. Os dramas “Casulo”, de Aline Flores, e “Mandinga”, de Mariana Starling, abordam maternidade, cuidado, autonomia e processos internos enfrentados por suas protagonistas.

Outros curtas trabalham experiências individuais marcadas por superação e reconstrução. “Liberdade sem Conduta”, de Dênia Cruz, e “Um Ato do Corpo Inteiro”, de Mariana Fagundes, ampliam o olhar sobre violência, força pessoal e percepção sensorial. Na mesma linha, “Dois Passos”, de Joyci Viegas, acompanha a rotina de uma menina no deslocamento entre a escola e sua casa, revelando uma vivência atravessada pela ideia de sobrevivência.

Obras que ampliam perspectivas e valorizam identidades

A programação também traz títulos que evidenciam tradições, memórias e encontros entre passado e futuro. O documentário “Mascates dos Sonhos”, de Kristel Kardeal, convida o público a entrar no ambiente circense, destacando trabalhadores e histórias desse universo.

Já a ficção científica indígena “Javyju – Bom Dia”, dirigida por Kunha Rete e Carlos Eduardo Magalhães, mistura mitologia e imaginação para construir um retrato de resistência e preservação cultural.

Para o público infantil, a mostra apresenta “O Menino que Não Amarrava o Tênis”, de Carla Garcez, que trabalha descobertas da infância e diferenças sociais. A animação “Não É Sobre Pastéis”, de Tiago Ribeiro, também dialoga com sentimentos e vivências das crianças. Fechando o conjunto, “Pulsão de Vida”, de Ana Cândida, acompanha a história de uma bailarina que encontra na arte sua principal força para enfrentar uma doença.

Horários, ingressos e acesso

A Mostra Inclusiva Lais será exibida gratuitamente no Cine Santa Tereza, localizado na Rua Estrela do Sul, 89, na Praça Duque de Caxias, no bairro Santa Tereza. As sessões acontecem em dois horários: sábado, às 19h, e domingo, às 16h30. A retirada de ingressos pode ser feita pelo Sympla ou presencialmente, conforme disponibilidade.

Para quem deseja conferir a programação completa do equipamento cultural, o conteúdo está disponível no Portal Belo Horizonte.

Relevância local e impacto social

A realização da Mostra Inclusiva Lais reafirma o compromisso de Belo Horizonte com políticas culturais voltadas à acessibilidade. Além de estimular a produção nacional de curtas, o evento fortalece a presença de pessoas com deficiência no espaço cinematográfico, tanto na plateia quanto no centro do debate.

Ao dar visibilidade a narrativas diversas e garantir recursos de acessibilidade, a mostra reforça o papel do Cine Santa Tereza como equipamento público que promove inclusão, troca de experiências e acesso democrático à cultura. A edição deste ano destaca o protagonismo feminino, amplia discussões sobre desigualdades e apresenta histórias que dialogam com a vida real, o que amplia seu impacto social.