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Confiança do consumidor em BH registra queda em novembro e Ipead UFMG aponta pior nível de 2025

Índice de Confiança do Consumidor recua para 39,04 pontos e reforça pessimismo em Belo Horizonte. O Índice de Confiança do Consumidor de Belo Horizonte (ICC-BH), calculado pelo Ipead UFMG, encerrou novembro de 2025 com o menor valor do ano. O indicador caiu para 39,04 pontos e confirma um cenário marcado por cautela e preocupação por parte das famílias da capital. O resultado representa queda de 2,18 por cento em comparação a outubro, acumulando recuo de 10,48 por cento ao longo de 2025. No período de 12 meses, a retração registrada foi de 2,09 por cento.

Quedas atingem quatro dos seis componentes do ICC-BH

Segundo o Ipead UFMG, quatro dos seis itens avaliados registraram queda em novembro. O componente com pior desempenho foi o emprego, que recuou 8,89 por cento. A situação financeira da família atual também mostrou retração, com queda de 2,48 por cento. A inflação, que costuma afetar diretamente o orçamento doméstico, caiu 1,38 por cento. Já a situação financeira da família em relação ao passado apresentou queda de 1,20 por cento.

Apesar das oscilações, somente um componente ficou acima da linha dos 50 pontos: a situação financeira da família atual. Mesmo assim, o levantamento indica que cinco dos seis itens seguem abaixo do nível considerado positivo, reforçando o pessimismo que se espalha entre os consumidores da capital.

Esses resultados demonstram que a confiança do consumidor mantém tendência de fragilidade, influenciada pela percepção de instabilidade no emprego, pelo cuidado com o orçamento familiar e pela expectativa de inflação mais alta.

Índices de expectativa também apresentam recuos

Além do ICC-BH, o estudo do Ipead UFMG mediu outros dois indicadores que ajudam a entender o comportamento do consumidor. O Índice de Expectativa Econômica do País (IEE) caiu 3,87 por cento em novembro. Nesse grupo, novamente o emprego teve o maior impacto negativo, repetindo queda de 8,89 por cento.

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A confiança do consumidor está diminuindo conforme pesquisa do Ipead UFMG Imagem BHZ Comunicação | Gerada por IA

Outro indicador que contribuiu para o resultado geral foi o Índice de Expectativa Financeira da Família (IEF). Em novembro, o IEF recuou 0,84 por cento em relação a outubro, resultado impulsionado pela percepção mais pessimista sobre a situação financeira da família atual, que também caiu 2,48 por cento. Esses dados reforçam que as famílias de Belo Horizonte não somente avaliam o presente com cuidado, mas também projetam com cautela.

Vestuário, calçados e turismo lideram intenção de compras

Mesmo com o cenário de confiança do consumidor em queda, a pesquisa observou quais segmentos permanecem no radar dos consumidores para os próximos três meses. Vestuário e calçados seguem no topo da lista com 20,55 por cento das citações. Em seguida aparece o turismo, com 10,50 por cento.

Esses setores costumam ser mais lembrados em períodos de fim de ano e férias, quando há maior circulação de renda e busca por descanso ou celebrações. Ainda assim, o percentual aponta que o consumidor segue criterioso, priorizando categorias específicas antes de assumir novos gastos.

Intenção de compra é maior entre mulheres

O levantamento do Ipead UFMG também identificou diferenças entre os públicos pesquisados. As mulheres aparecem com maior intenção de compra: 75,23 por cento delas citaram algum tipo de aquisição planejada. Entre os homens, o índice foi de 70,01 por cento.

Segundo a pesquisa, as mulheres mencionaram principalmente vestuário e calçados, turismo e outras categorias que envolvem consumo cotidiano ou atividades de lazer. Os homens, por outro lado, citaram mais vestuário e calçados, veículos e turismo. A presença de veículos na lista masculina indica um interesse por itens de maior valor, mesmo em um ambiente de menor confiança.

Percepção econômica impacta hábitos e decisões das famílias

O conjunto dos dados mostra que a queda na confiança do consumidor tem impacto direto nas prioridades das famílias de Belo Horizonte. A preocupação com o emprego e com o orçamento doméstico influencia desde decisões financeiras de curto prazo até planos de compra e expectativa sobre a economia do país.

Além disso, o cenário observado pelo ICC-BH reforça a importância de acompanhar como as famílias percebem o mercado de trabalho e o custo de vida. Quando esses fatores apresentam sinais de instabilidade, é comum que o consumo se retraia e a população passe a planejar com mais cuidado suas despesas futuras.

O comportamento revelado pela pesquisa também ajuda setores do comércio e de serviços a compreenderem os hábitos do público neste fim de ano e a adaptarem suas estratégias a um ambiente de maior cautela.

Redação: Marcos Silva | redacao1@comunidadeemacao.com.br

Imagem gerada por IA | BHZ Comunicação