Reverbera Prêmio

Escola Florestan Fernandes da ZN lidera destaque em selo que reconhece ensino afro-brasileiro e indígena

Iniciativa Reverbera premia escolas municipais de BH que valorizam história afro-brasileira e indígena, com foco na Zona Norte

A Escola Municipal Florestan Fernandes, da Zona Norte de Belo Horizonte, recebeu o selo de reconhecimento Reverbera Culturas afro-brasileiras, africanas e indígenas nas escolas. A certificação foi entregue na terça-feira, 18 de novembro, durante o Festival Reverbera, realizado no auditório da Faculdade de Engenharia da UFMG, no Campus Pampulha. Além da Florestan Fernandes, outras quatro instituições municipais foram contempladas pela ação promovida pela Agência de Iniciativas Cidadãs, em parceria com o Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais.

O selo foi concedido a propostas que fortalecem o ensino da história afro-brasileira e indígena na rede municipal. Ao todo, cinco escolas receberam a certificação: Escola Municipal da Vila Pinho, Escola Municipal Florestan Fernandes, Escola Municipal Presidente Itamar Franco, Escola Municipal Professor Mário Werneck e Escola Municipal de Educação Infantil Santa Cruz. Cada instituição foi selecionada por práticas que promovem o reconhecimento das ancestralidades e ampliam o diálogo sobre diversidade nas salas de aula.

Florestan Fernandes se destaca na Zona Norte

A Escola Municipal Florestan Fernandes ganhou evidência pelo trabalho desenvolvido ao longo do projeto, reforçando a importância da abordagem de culturas afro-brasileiras e indígenas no cotidiano pedagógico. O selo reforça a atuação da unidade escolar e a coloca no centro da agenda educacional da Zona Norte. A participação no programa também garantiu à escola uma bolsa-prêmio no valor de 8 mil reais, custeada pelo Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais. O recurso será utilizado para fortalecer projetos e ampliar atividades internas.

O reconhecimento integra o conjunto de ações do Festival Reverbera, que compõe a programação do Novembro Negro da UFMG. A iniciativa começou ainda no mês de maio com escutas de parceiros e diálogo aberto com escolas interessadas em formar uma rede de compartilhamento. O objetivo central foi estimular práticas pedagógicas já existentes e potencializar ações voltadas para a promoção de equidade e memória ancestral.

Cerimônia reúne comunidade escolar e reforça importância da representatividade

A cerimônia contou com a presença de representantes das escolas premiadas e de autoridades ligadas à educação e aos direitos sociais. Durante a abertura, a diretora da Diretoria de Políticas Afirmativas da Secretaria Municipal de Educação, Rosane Pires, compartilhou sua trajetória como mulher negra e refletiu sobre a vivência escolar durante a infância. Ela destacou sentimentos de insegurança e medo diante da falta de acolhimento nos primeiros anos e explicou como essa experiência marca sua atuação atual.

Segundo Rosane, o compromisso com uma educação que reconheça, escute e celebre cada estudante é um elemento essencial para transformar ambientes escolares. Para ela, o selo representa mais que uma homenagem. Representa um caminho para garantir que novas gerações encontrem na escola um espaço de respeito e pertencimento.

Dedicação das equipes escolares impulsiona projetos

Entre as escolas premiadas, a Escola Municipal Professor Mário Werneck celebrou o reconhecimento. A diretora Eliana Milagres destacou que a certificação valida um trabalho contínuo e dedicado ao fortalecimento da identidade cultural e social de seus estudantes. Segundo ela, o projeto Reverbera trouxe visibilidade às iniciativas já consolidadas na instituição.

Outra experiência observada durante o festival veio da Escola Municipal de Educação Infantil Santa Cruz. A coordenadora pedagógica, Walquíria Almeida de Jesus, relatou o interesse das crianças pelo projeto, que teve como foco chás preparados com ervas medicinais cultivadas na horta escolar. Ela explicou que os estudantes demonstram conhecimento sobre as plantas e identificam com facilidade os itens cultivados, reforçando o engajamento pedagógico e a importância de práticas sensoriais e vivenciais.

Impacto social e fortalecimento das escolas

A entrega do selo Reverbera amplia o debate sobre políticas educacionais que valorizam culturas afro-brasileiras e indígenas em Belo Horizonte. Além disso, estimula escolas de diferentes regionais a construir projetos mais sólidos, com participação ativa dos estudantes. Na Regional Norte, a conquista da Escola Municipal Florestan Fernandes reforça o impacto local da iniciativa e incentiva novas propostas na rede municipal.

Os projetos reconhecidos também ajudam a fortalecer o vínculo entre escola, comunidade e memória ancestral. A certificação funciona como incentivo para que gestores e educadores ampliem abordagens pedagógicas e garantam que temas ligados à diversidade continuem presentes ao longo do ano letivo. Com isso, o selo se torna uma ferramenta de estímulo para práticas mais inclusivas.

Redação: Marcos Silva | redacao1@comunidadeemacao.com.br

Foto: PBH – Divulgação