Centro de Saúde Heliópolis

Mulher agride funcionárias em centro de saúde Heliópolis após discussão e expõe falhas na segurança

Atendimento no Centro de Saúde Heliópolis termina em agressões, ameaça e registro policial; caso reacende debate sobre proteção de trabalhadores da saúde

Confusão no atendimento

Uma mulher agrediu duas funcionárias do Centro de Saúde Heliópolis, na Região Norte de Belo Horizonte, na noite desta terça-feira (18). A ocorrência, registrada pela Guarda Civil Municipal, começou quando a paciente buscou informações sobre a troca da sonda do pai, um idoso acamado. 

Segundo o boletim, a mulher chegou muito alterada e exigiu saber qual profissional havia ligado solicitando a atualização da sonda. Ao ser informada de que seria necessário aguardar o procedimento formal, ela passou a xingar e ameaçar a equipe. Testemunhas relataram que a agressora afirmou que “daria um tiro na cabeça de todo mundo”, o que aumentou a tensão na unidade.

A violência ocorreu logo após esse momento. Uma enfermeira de 29 anos, que tentou orientar a paciente, foi empurrada e atingida de raspão na testa. Uma recepcionista de 25 anos, que tentou intervir, também foi empurrada contra a porta do elevador.

Ação da Guarda Civil e desdobramentos na delegacia

O Centro de Controle Operacional acionou imediatamente a Guarda Civil Municipal, que chegou ao local, ouviu as funcionárias e conduziu todos os envolvidos à delegacia. A Polícia Militar também esteve presente e registrou o boletim de ocorrência.

Em depoimento, a suspeita, de 38 anos, alegou que “perdeu a cabeça” após várias tentativas frustradas de resolver o atendimento do pai. A Polícia Civil informou que foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por agressão. A mulher assinou o compromisso de comparecer ao Juizado Especial Criminal e foi liberada.

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Relatos sobre falta de segurança

Após o caso, parente da enfermeira agredida criticou a ausência de segurança nas unidades de saúde de Belo Horizonte no período noturno. Segundo ele, a Guarda Municipal permanece nos Centros de Saúde somente até as 16h. Depois desse horário, profissionais e usuários ficariam sem proteção.

“O episódio ocorreu justamente depois desse horário, quando o posto já estava sem qualquer segurança. Poderia ter acontecido algo ainda mais grave. As profissionais estavam apenas exercendo suas funções, e essas situações não são isoladas”, afirmou.

Posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde

A Secretaria Municipal de Saúde divulgou nota negando qualquer falha no atendimento ao pai da agressora. Segundo o órgão, a família foi informada de que o idoso precisaria ser encaminhado à UPA para a troca da sonda e posterior radiografia. Uma ambulância foi acionada para transportar o paciente, e o procedimento já foi concluído.

A pasta informou ainda que as profissionais agredidas foram acolhidas pela equipe de suporte sendo acionado o fluxo de abordagem de violência no ambiente de trabalho. O município disponibiliza acompanhamento especializado aos trabalhadores da rede SUS-BH.

Com relação à segurança, a Prefeitura reforçou que mantém equipes destacadas da Guarda Civil Municipal nas unidades, além da Patrulha SUS, que realiza ações preventivas voltadas à proteção de usuários e servidores. No caso do Centro de Saúde Heliópolis, a Guarda prestou apoio imediato e conduziu o caso à delegacia.

Impacto e alerta para o cotidiano dos serviços de saúde

A agressão no Centro de Saúde Heliópolis reacende o debate sobre a segurança das equipes que atuam na linha de frente do atendimento. A rotina em unidades básicas exige atenção permanente, sobretudo à noite, quando o fluxo de profissionais de apoio diminui.

Além disso, episódios como este revelam a pressão enfrentada por familiares em busca de atendimento, especialmente quando se trata de idosos acamados. Ainda assim, o registro mostra que o fluxo foi cumprido, e que a violência interferiu não somente no trabalho das servidoras, mas no próprio andamento do atendimento do paciente.

O caso reforça a necessidade de ampliar medidas de prevenção, garantir apoio psicológico aos trabalhadores e fortalecer protocolos de segurança. As equipes de saúde seguem expostas a situações de estresse e conflito, demandando resposta contínua do poder público e atenção por parte da sociedade.

Da Redação |redacao1@comunidadeemacao.com.br