Nova unidade da Santa Casa BH fortalece rede de cuidado multiprofissional do SUS na capital, com foco no diagnóstico, reabilitação e inclusão de crianças e adolescentes com TEA
O que é o programa Entrelaçar e como ele ajuda pessoas com autismo em BH
Belo Horizonte passa a contar, a partir desta segunda-feira (27), com um novo ponto de atendimento voltado as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A unidade, localizada na Santa Casa BH, integra o programa Entrelaçar, uma iniciativa voltada a fortalecer e ampliar o atendimento multiprofissional na rede pública de saúde.
O Entrelaçar tem como principal objetivo garantir o diagnóstico precoce, a reabilitação e o acompanhamento contínuo de pessoas com TEA, por meio de planos terapêuticos individualizados. A estratégia também busca promover a integração entre os diferentes serviços do SUS-BH, garantindo cuidado integral e coordenado para cada paciente.
Nova unidade da Santa Casa BH reforça atendimento multiprofissional as crianças com TEA
A nova unidade da Santa Casa BH foi estruturada para atender crianças e adolescentes de 0 a 18 anos, com prioridade para a faixa etária de 2 a 12 anos — considerada essencial para o desenvolvimento de habilidades e autonomia.
A equipe multiprofissional será composta por neuropediatra, psiquiatra infantil, psicólogo, enfermeiro, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, pedagogo, fisioterapeuta e nutricionista. O trabalho será realizado interdisciplinarmente, buscando promover o desenvolvimento global das crianças, estimular a autonomia e favorecer a inclusão social.
Serão ofertados cerca de 80 atendimentos por mês, todos realizados mediante encaminhamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), via regulação. Não haverá atendimento por demanda espontânea, garantindo a organização e a continuidade do cuidado conforme critérios clínicos.
Como funciona o acesso ao programa Entrelaçar pelo SUS-BH
O fluxo de atendimento começa nos centros de saúde, onde são feitas as primeiras avaliações. Nos casos suspeitos ou confirmados de TEA, as equipes de saúde registram o paciente e, se houver necessidade de acompanhamento especializado, encaminham-no à rede regulada da SMSA.
Os atendimentos podem ocorrer nos Centros de Referência em Reabilitação (CREABs), clínicas conveniadas ou na nova unidade da Santa Casa BH. Em 2025, o SUS-BH registrou mais de 15 mil atendimentos a pessoas com TEA, reforçando a importância da ampliação da rede e da qualificação dos serviços.
Rede de cuidado integrada garante atendimento especializado
Atualmente, Belo Horizonte conta com uma ampla rede de atenção à saúde: são 153 Centros de Saúde, cinco CREABs, 597 equipes de Saúde da Família e 83 Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF-AB). Esses núcleos contam com nutricionistas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e fisioterapeutas, que atuam conjuntamente no cuidado às pessoas com TEA.
A estrutura inclui ainda duas clínicas conveniadas, quatro ambulatórios de neuropediatria, nove Equipes Complementares de Saúde Mental e 11 Centros de Referência em Saúde Mental (CERSAMs e CERSAMIs), que oferecem atendimento especializado para o público adulto e infantojuveni
Equipe multiprofissional garante cuidado integral e humanizado
O programa Entrelaçar baseia-se no princípio da interdisciplinaridade, valorizando a troca entre diferentes especialidades médicas e terapêuticas. A ideia é que cada profissional contribua com uma visão complementar, construindo planos terapêuticos que considerem as especificidades de cada paciente e família.
Essa abordagem reforça os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) — integralidade, equidade e humanização — e busca oferecer não somente tratamento clínico, mas também suporte para o desenvolvimento social, educacional e emocional das crianças e adolescentes com TEA.
Entrelaçar foca em crianças e adolescentes com autismo de 2 a 12 anos
A faixa etária entre 2 e 12 anos é considerada estratégica por especialistas, por representar o período de maior plasticidade cerebral, quando o acompanhamento adequado pode gerar avanços significativos na comunicação, no comportamento e na interação social.
O novo serviço da Santa Casa BH foi planejado para atuar justamente nesse momento, oferecendo atendimento contínuo e multiprofissional que favorece o desenvolvimento e a inclusão desde os primeiros anos de vida.
Por que o programa Entrelaçar é um avanço para o SUS em Belo Horizonte
Com a criação do Entrelaçar, Belo Horizonte dá um passo importante na consolidação de uma rede de cuidado integrada e acessível. O programa amplia o acesso a diagnósticos especializados, reduz o tempo de espera por atendimento e fortalece o vínculo entre as equipes de atenção básica e os serviços de reabilitação.
Além disso, promove maior articulação entre as áreas de Saúde, Educação, Esporte e Cultura, permitindo ações complementares voltadas ao bem-estar e à inclusão de pessoas com autismo em diferentes espaços da cidade.
Saiba como o Entrelaçar amplia o cuidado e fortalece a inclusão social
A Secretaria Municipal de Saúde segue trabalhando na expansão do programa, com a meta de criar novas unidades e pontos de atendimento integrados à rede SUS-BH. O foco é ampliar o acesso, garantir continuidade terapêutica e oferecer um serviço público de qualidade, que respeite as particularidades de cada pessoa com TEA.
Com o Entrelaçar, Belo Horizonte reforça seu compromisso com uma política de saúde inclusiva e humanizada, que reconhece a importância do cuidado integral, do suporte familiar e da integração comunitária para o pleno desenvolvimento das pessoas com autismo.
Reportagem: Marcos SIlva | redacao1@comunidadeemacao.com.br
Ilustração | Gereda por IA | BHZ comunicação

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
