Ribairão do Onça

Livro sobre o Ribeirão do Onça chega às escolas municipais de BH para fortalecer educação ambiental

Obra “Lembra: isto é rio – histórias do ribeirão da Onça” será distribuída pela Smed a todas as escolas da Rede Municipal até o fim do ano, integrando o Kit Literário e ampliando o diálogo entre cidade e meio ambiente

A Secretaria Municipal de Educação (Smed) de Belo Horizonte vai distribuir até o final de 2025 exemplares do livro “Lembra: isto é rio – histórias do ribeirão da Onça” a todas as escolas municipais da capital. A iniciativa, conduzida pelo Programa de Educação Ambiental EcoEscola, busca fortalecer a formação de professores e alunos da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte (RME-BH) quanto à relação entre a cidade e o meio ambiente.

O livro faz parte do Kit Literário que será entregue às escolas e se propõe a estimular o olhar crítico sobre o território urbano, os cursos d’água e a memória das comunidades que convivem com o Ribeirão do Onça, uma das principais bacias hidrográficas de Belo Horizonte.

Obra interdisciplinar une relatos, fotografias e história local

A publicação foi elaborada pelos arquitetos-urbanistas André Siqueira, Elisa Marques e Isabela Izidoro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Lançado em setembro, o livro combina relatos orais de moradores da bacia do Onça, fotografias e dados oficiais, apresentando uma abordagem interdisciplinar sobre o tema da água.

O conteúdo une experiências pessoais e referências técnicas para promover a reflexão sobre o papel das bacias hidrográficas na construção da cidade. Segundo os autores, a proposta é que os estudantes compreendam o meio ambiente a partir de suas próprias vivências e da história de suas comunidades.

“O livro traz duas questões principais: um olhar para o território a partir das bacias hidrográficas e uma abordagem histórica sobre a construção da cidade a partir de relatos orais”, explica André Siqueira. Para ele, a obra é também um convite para que cada escola construa seu próprio acervo histórico, valorizando a memória e o espaço em que está inserida.

EcoEscola coordena a implementação e o acompanhamento do projeto

Após a entrega dos exemplares, o EcoEscola enviará às instituições um formulário eletrônico em março de 2026, no qual os educadores deverão relatar as atividades realizadas com base no material e avaliar o impacto do livro no processo de ensino-aprendizagem. A proposta é acompanhar como as escolas estão aplicando o conteúdo e quais práticas pedagógicas surgem a partir da leitura.

Além disso, está prevista para 2026 uma apresentação de experiências pedagógicas durante o Encontro com Cursistas do EcoEscola EaD, na qual professores compartilharão os resultados e boas práticas inspiradas pela obra.

A coordenadora do programa, Simoni Borges, reforça o papel pedagógico do livro. “A obra reúne conhecimento popular e científico e promove uma educação socioambiental de maneira crítica e acessível”, afirma. Segundo ela, o material será uma ferramenta pedagógica estratégica para fortalecer a educação ambiental nas escolas municipais.

Parceria entre UFMG e EcoEscola fortalece rede de educadores

A iniciativa de produzir e distribuir o livro nasceu do projeto de extensão “Lembra: Isto é Rio”, desenvolvido pela Faculdade de Arquitetura da UFMG. O projeto pretende estimular o debate público sobre as águas urbanas e as vivências das comunidades da Grande BH.

Ao buscar o EcoEscola como parceiro, os autores encontraram um canal para expandir o alcance da iniciativa. O programa da Smed atua como articulador de ações e políticas de educação ambiental nas escolas municipais, oferecendo formações, publicações, certificações e parcerias voltadas à sustentabilidade e à valorização do território.

De acordo com André Siqueira, o alinhamento entre o livro e o EcoEscola foi essencial para o projeto. “O programa é muito importante para a formação dessa rede de educadores e também como veículo para pensar a distribuição do material didático que produzimos”, destaca.

Educação ambiental e identidade local

Ao inserir o tema do Ribeirão do Onça nas salas de aula, a Smed e o EcoEscola buscam aproximar a comunidade escolar das questões ambientais e históricas do território urbano. A proposta vai além do conteúdo teórico: incentiva o reconhecimento do espaço vivido, o resgate da memória local e a formação de cidadãos conscientes sobre o ambiente em que vivem.

Com a circulação da obra em todas as escolas da RME-BH, o programa reforça a importância de tratar a cidade como parte do ecossistema e não como elemento separado da natureza. A expectativa é que os estudantes possam compreender melhor o papel das águas urbanas e refletir sobre práticas sustentáveis no cotidiano.

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Foto: PBH | Divulgação