Ribeirão do Onça

Investimento no Ribeirão do Onça: BH garante R$ 770 milhões para mobilidade e drenagem

Prefeitura de Belo Horizonte assina contratos em Brasília para ônibus elétricos, faixas exclusivas e obras no Ribeirão do Onça

O que muda com o investimento no Ribeirão do Onça?  – Uma das regiões mais vulneráveis de Belo Horizonte, cortada pelo Ribeirão do Onça, começa a enxergar novas perspectivas. O investimento de R$ 293,3 milhões em obras de drenagem vai beneficiar diretamente cerca de 65 mil moradores de bairros como Ribeiro de Abreu, Novo Aarão Reis, Ouro Minas e Novo Tupi — locais que convivem há décadas com enchentes e alagamentos a cada período chuvoso.

O projeto prevê ainda a criação do Parque Ciliar Comunitário do Ribeirão do Onça, que ocupará 627,5 hectares. A proposta vai muito além de conter enchentes: inclui hortas comunitárias, áreas de agroecologia, ciclovias, quadras e passarelas, devolvendo aos moradores um espaço seguro e de lazer. “É devolver dignidade e qualidade de vida para famílias que perderam muito por causa das enchentes”, disse uma liderança social local ao saber do anúncio do investimento.

Como a Prefeitura conseguiu os recursos?

Na terça-feira (16), em Brasília, o prefeito Álvaro Damião assinou contratos que somam R$ 770 milhões com o governo federal. Parte dos recursos vem do PAC Seleções, programa que privilegia obras de mobilidade sustentável e drenagem urbana.

Do valor total, R$ 317 milhões vão financiar a compra de 100 ônibus elétricos e 27 carregadores, enquanto outros R$ 132,5 milhões serão aplicados na ampliação de faixas exclusivas para ônibus e ciclovias.

O prefeito esteve acompanhado em reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro das Cidades Jader Barbalho Filho, o ministro da Casa Civil Rui Costa, além de dirigentes da Caixa Econômica Federal e do BNDES.

“Se eu tiver que ir a Brasília toda semana para garantir melhorias, estarei lá. O objetivo é melhorar a vida do povo belo-horizontino”, afirmou Damião após o encontro.

O que BH ganha com os novos ônibus elétricos?

A chegada dos ônibus elétricos promete uma revolução no transporte público. Os veículos terão capacidade para 80 passageiros, piso baixo para acessibilidade universal e zero emissão de poluentes locais.

Cada ônibus terá autonomia de 230 a 250 km por carga, rodando com até 80% menos custo energético que os modelos a diesel. Além disso, os veículos produzem menos ruído e vibração, oferecendo viagens mais silenciosas e confortáveis.

A Prefeitura vai comprar os ônibus e ceder em comodato às concessionárias até 2028. A entrega será em cinco lotes de 20 veículos, acompanhada da instalação dos carregadores. Dois pontos públicos de recarga rápida também serão criados, ampliando a flexibilidade da operação.

Como será a expansão das faixas exclusivas e ciclovias?

Belo Horizonte conta hoje com 74,2 km de faixas prioritárias para ônibus e cerca de 112 km de ciclovias e ciclofaixas. Com o novo investimento, a cidade ganhará 64,3 km de faixas exclusivas e mais de 100 km de infraestrutura cicloviária planejada, parte já com projetos executivos prontos.

Essas intervenções vão aumentar a velocidade média dos coletivos, reduzir o tempo de viagem e dar mais segurança aos ciclistas. Segundo a Prefeitura, a ideia é integrar bicicletas e transporte público em um sistema mais eficiente.

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As medidas seguem diretrizes do PlanMob-BH, que prioriza transporte coletivo e mobilidade ativa como alternativas para reduzir a dependência do carro particular.

Por que o investimento no Ribeirão do Onça é estratégico?

O investimento no Ribeirão do Onça se tornou um símbolo do compromisso da Prefeitura em atacar dois problemas crônicos de Belo Horizonte: a precariedade do transporte público e as enchentes recorrentes.

De um lado, a frota elétrica e as novas faixas exclusivas reforçam a aposta na mobilidade urbana sustentável, alinhada às metas ambientais da ONU. De outro, as obras de drenagem e o parque comunitário trazem esperança para milhares de famílias que vivem sob risco.

“É um passo histórico para transformar não só a mobilidade, mas a relação da cidade com o seu território e com as pessoas que mais sofrem com a falta de infraestrutura”, avaliou um especialista em urbanismo ouvido pela reportagem.

Reportagem: Marcos Silva | redacao1@comunidadeemacao.com.br

Foto: Site Diálogos Comunitários | Reprodução