A Câmara Municipal de Belo Horizonte realizou, nos dias 18 e 19 de agosto de 2025, duas audiências públicas para discutir a situação da população idosa da capital. Os encontros revelaram problemas graves, como o abandono de idosos por familiares em hospitais e Instituições de Longa Permanência (ILPIs), além da falta de políticas públicas eficazes que garantam qualidade de vida para essa parcela crescente da população.
Abandono em hospitais e instituições de longa permanência
Na audiência realizada em 18 de agosto, parlamentares e representantes da sociedade civil denunciaram casos recorrentes de abandono de idosos em hospitais e entidades de acolhimento. A discussão ressaltou a urgência de medidas para coibir a negligência familiar e reforçar a rede de proteção à terceira idade.
Falta de políticas públicas eficazes
O encontro desta terça-feira (19) reuniu a Comissão de Direitos Humanos, Habitação, Igualdade Racial e Defesa do Consumidor. O debate expôs a ausência de políticas públicas municipais capazes de atender todas as regionais da capital.
A vereadora Professora Marli (PP), requerente da audiência, alertou para o adoecimento mental crescente entre os idosos e cobrou da Prefeitura de Belo Horizonte ações concretas.
“É importante promover o debate e a participação, para que possamos contribuir para a construção de caminhos capazes de superar os desafios que se colocam”, afirmou.
Pesquisa aponta falta de geriatria na rede pública
Um dos pontos mais preocupantes levantados foi o relatório da Fundação João Pinheiro. O estudo revelou que os centros de saúde de Belo Horizonte não contam com a especialidade de geriatria, o que compromete o acompanhamento adequado da população idosa.
A presidente do Instituto Educativa, Lilian Neves, defendeu o “diálogo intergeracional” como ferramenta essencial para envelhecimento saudável. Ela destacou ainda a projeção da Fundação João Pinheiro, segundo a qual, em sete anos, o número de jovens será equivalente ao de idosos na capital, e em 20 anos a cidade terá quase o dobro de pessoas idosas em relação à população jovem.
Plano Municipal de Envelhecimento em construção
Representantes do Executivo afirmaram que a cidade conta com um Plano Municipal de Envelhecimento, elaborado com a participação da sociedade civil e pessoas idosas. A coordenadora do Centro de Referência das Pessoas Idosas (CRPI) Regional Oeste, Maria Fontana, destacou que o documento busca orientar ações e já resultou na criação de equipamentos como o CRPI Caiçara.
A médica geriatra da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), Carla Jacomini, lembrou que a desigualdade social impacta diretamente a expectativa de vida. Segundo ela, moradores da Regional Barreiro vivem, em média, 12 anos a menos que os da Região Centro-Sul. Para a especialista, o plano é um “pontapé inicial” que precisa ser aprimorado.
Campanhas e propostas em andamento
A Prefeitura de Belo Horizonte apresentou campanhas já realizadas, como o Junho Violeta, de conscientização sobre violência contra idosos, e o Outubro Prateado, voltado ao envelhecimento saudável. Atualmente, 27 grupos de convivência funcionam nas nove regionais da capital.
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A SMSA também defendeu a criação de Centros de Referência da Pessoa Idosa em todas as regionais e a implantação de centros de convivência intergeracionais. “Uma cidade que é boa para a pessoa idosa é uma cidade boa para pessoas de todas as idades”, afirmou Carla Jacomini.

Editorial | A conta do envelhecimento em BH não fecha
O envelhecimento da população de Belo Horizonte não é uma projeção distante, é um dado concreto e alarmante. Mas, diante dessa realidade, onde estão as políticas públicas integradas? A Secretaria Municipal de Saúde segue por um caminho, a de Assistência Social por outro, e quem paga essa falta de sintonia são justamente os idosos – aqueles que mais precisam de cuidado, acolhimento e dignidade.
O maior retrato dessa fragmentação está nos próprios Conselhos Municipais. Como pode, em uma mesma cidade, um Conselho dispor de recursos e distribuí-los em projetos de legitimidade questionável, enquanto outro Conselho tem projetos sólidos, mas não tem dinheiro para tirá-los do papel? É o absurdo da burocracia travestido de política pública.
Na outra ponta, o Legislativo municipal assiste inerte. Não fiscaliza, não propõe, não pressiona. É como se o destino da população idosa fosse um problema de amanhã, quando na verdade já é a urgência de hoje.
Em Belo Horizonte, falta articulação, sobram discursos. Sem diálogo real entre Secretarias e Conselhos, o idoso continua invisível – abandonado em hospitais, negligenciado em instituições e desamparado nas políticas públicas.
“Enquanto um Conselho tem recursos financeiros e distribui para projetos duvidosos, outro tem propostas e projetos, mas faltam recursos. Na outra ponta tem o Poder Legislativo inerte ou acéfalo -não sei o que é pior, e que não fiscaliza e tão pouco apresenta propostas.” — afirma Marcos Silva, editor do Portal Comunidade em Ação.
Reportagem: Marcos Silva | redacao1@comunidadeemacao.com.br
Foto: Tatiana Francisca/CMBH

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
