Recrutamento de Voluntários para Estudo Revolucionário
Pesquisadores brasileiros estão em busca de voluntários para participarem de uma pesquisa inovadora, que promete revolucionar a prevenção de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e outras doenças cardiovasculares. A pesquisa é conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, em colaboração com o Ministério da Saúde, através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).
Desde o final de 2025, a equipe está recrutando participantes para testar a primeira polipílula nacional. O objetivo é alcançar um total de 8,5 mil voluntários, que serão acompanhados ao longo de três a quatro anos. Esses testes são essenciais para determinar a eficácia do novo tratamento, especialmente em indivíduos de baixo e médio risco para doenças cardiovasculares.
Composição e Objetivo da Polipílula
A polipílula em estudo é composta por uma combinação de medicamentos: rosuvastatina 10 mg, utilizada para controlar o colesterol, e dois medicamentos para tratar a hipertensão, a valsartana 80 mg e a anlodipina 5 mg. Esta combinação de substâncias permite que sejam ingeridas juntas, facilitando a adesão ao tratamento.
A pesquisa tem como objetivo principal verificar se a polipílula pode efetivamente reduzir o risco de um primeiro AVC, além de outros desfechos secundários, como infarto, insuficiência cardíaca e morte por doença circulatória.
Estrutura da Pesquisa e Participação
Coordenado pela neurologista Sheila Martins, o estudo conta com a participação de 14 centros de AVC distribuídos por diversos estados brasileiros, incluindo São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco e Acre. Segundo Martins, outros centros também estão sendo considerados para participar da pesquisa.
Os voluntários precisam ter entre 50 e 75 anos, não ter histórico de AVC ou infarto, e não devem estar em tratamento com medicamentos para colesterol, hipertensão ou diabetes. A participação na pesquisa é totalmente gratuita e inclui acompanhamento médico regular por uma equipe especializada.
Metodologia de Teste e Avaliação dos Resultados
Os participantes do estudo serão divididos aleatoriamente em dois grupos: um receberá a polipílula ativa e o outro um placebo. Ao longo dos anos de acompanhamento, os pesquisadores avaliarão se o tratamento reduz o risco de AVC, demência e problemas de memória.
Além disso, a pesquisa também analisará se há uma diminuição na incidência de infarto, insuficiência cardíaca e mortes causadas por problemas circulatórios. A adesão da população é crucial para garantir a qualidade dos resultados, como enfatizado por Sheila Martins. “Quanto maior o número de participantes, mais robustas serão as evidências geradas e maior será o potencial impacto nas políticas públicas de saúde”, afirmou a neurologista.
Empoderamento do Paciente e Mudança de Estilo de Vida
Um dos destaques da pesquisa é o uso de um aplicativo chamado Riscômetro, que permite aos participantes calcular o risco de desenvolver um AVC, um infarto ou outras doenças circulatórias. O aplicativo também promove mudanças no estilo de vida, incentivando o aumento da atividade física e a cessação do tabagismo.
“Uma coisa importante na fase inicial do estudo foi que as pessoas, usando o aplicativo, puderam mudar seu estilo de vida”, observou Sheila Martins. “Aumentaram a atividade física, por exemplo, e quem fumava, parou de fumar. Isso é maravilhoso.”
Impacto Potencial e Considerações Finais
Os dados sobre AVC no Brasil são alarmantes. De acordo com o Portal da Transparência do Registro Civil, 89.490 brasileiros morreram em decorrência da doença em 2025. No cenário global, a Organização Mundial do AVC projeta que as mortes por AVC podem crescer até 50% nas próximas décadas.
Para Sheila Martins, o estudo tem o potencial de transformar as políticas públicas de saúde não só no Brasil, mas em todo o mundo. “Estamos confiantes de que essa polipílula poderá estar disponível no SUS em breve. O objetivo é que o medicamento seja produzido em escala maior e oferecido à população, facilitando o tratamento com uma combinação de três medicamentos em um único comprimido.”
A pesquisa conta com o apoio de um comitê executivo nacional e internacional, composto por especialistas renomados de países como Austrália, Estados Unidos e Inglaterra, demonstrando a relevância e o interesse global pelo projeto.
“A ideia é que a gente consiga provar a eficácia do tratamento nessas pessoas que são de baixo e médio risco”, disse Sheila Martins à Agência Brasil.

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
