Plano para urbanização das ocupações Rosa Leão e Helena Greco, em Belo Horizonte, é reconhecido por integrar justiça social, resiliência climática e soluções baseadas na natureza
Um projeto de urbanização da região da Izidora, no norte de Belo Horizonte, conquistou a etapa mineira do prêmio promovido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) na categoria “Urbano, Cidade e Paisagem”. A proposta reconhecida é voltada às ocupações Rosa Leão e Helena Greco e prevê a reestruturação urbanística de aproximadamente 200 mil metros quadrados. A premiação valoriza iniciativas arquitetônicas, em fase de projeto ou execução, que conciliam justiça social e preservação ambiental.
O anúncio foi feito nesta terça-feira (11). O projeto agora segue para a etapa nacional do prêmio, que será realizada no final de março. A iniciativa faz parte de um plano mais amplo de urbanização sustentável da Izidora, desenvolvido pela Prefeitura de Belo Horizonte em cooperação com organismos internacionais.
Plano de urbanização da Izidora aposta em soluções baseadas na natureza
O projeto de urbanização da Izidora prevê intervenções urbanísticas que combinam Soluções Baseadas na Natureza com métodos tradicionais de engenharia. A proposta busca reduzir impactos provocados por eventos climáticos extremos, além de melhorar as condições de moradia e infraestrutura na região.
Entre as medidas planejadas estão estratégias voltadas à adaptação ambiental e ao uso do território de forma mais sustentável. Segundo os responsáveis pela proposta, a integração entre natureza e infraestrutura urbana é um dos pilares do planejamento para o território.
Além disso, o plano inclui o desenvolvimento de tipologias inovadoras de moradias, especialmente voltadas para áreas de encosta. As residências serão projetadas com plantas flexíveis, capazes de se adaptar a diferentes configurações familiares.
Também estão previstos apartamentos com plantas adaptáveis e sistemas de aquecimento solar, recursos que ampliam a eficiência energética das habitações e podem reduzir custos para os moradores ao longo do tempo.
Participação da comunidade orientou o projeto
A elaboração do projeto de urbanização da Izidora contou com a participação direta da população das ocupações Helena Greco e Rosa Leão, onde vivem cerca de 1,4 mil famílias.
Durante o processo de desenvolvimento, foram realizados momentos de escuta e construção coletiva, com o objetivo de identificar as necessidades da comunidade e orientar as diretrizes urbanísticas do plano.
As atividades incluíram diálogos com diferentes grupos da população local. Crianças e pessoas com deficiência também participaram das conversas e contribuíram com percepções sobre o cotidiano e os desafios enfrentados no território.
Segundo os organizadores, esse processo buscou garantir que as soluções propostas no projeto estejam alinhadas à realidade das famílias que vivem na região.
Resiliência urbana como eixo do planejamento
De acordo com o secretário municipal de Política Urbana, Leonardo Castro, o plano representa um avanço na forma de planejar a urbanização de assentamentos precários em Belo Horizonte.
Segundo ele, trata-se do primeiro plano de urbanização desse tipo na capital a incorporar a resiliência urbana como eixo estruturante. Isso significa que as intervenções urbanísticas foram pensadas considerando a capacidade do território de lidar com mudanças climáticas e eventos extremos.
Para o secretário, a iniciativa abre espaço para novas abordagens no planejamento urbano da cidade.
“Essa iniciativa representa uma grande oportunidade para repensar caminhos de inovação e promover um modelo de desenvolvimento urbano baseado na natureza e resiliente às mudanças climáticas em Belo Horizonte, que possa inspirar intervenções em diferentes territórios da cidade, para além das áreas centrais”, afirmou.
Consórcio responsável pelo projeto
O projeto vencedor foi elaborado por um consórcio formado pelas empresas Praxis Projetos e Consultoria, Urbe Consultoria e Projetos e Horizontes Arquitetura. As empresas foram contratadas pelo Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) no âmbito do acordo de cooperação firmado com a Prefeitura de Belo Horizonte.
A iniciativa de urbanização sustentável da Izidora também conta com a participação do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e da Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores.
Esse modelo de cooperação reúne expertise técnica internacional e planejamento urbano local para desenvolver soluções voltadas a assentamentos informais.
Impacto urbano e relevância para Belo Horizonte
O reconhecimento do projeto de urbanização da Izidora pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil destaca uma proposta que combina planejamento urbano, participação social e adaptação climática. Em um cenário de crescimento urbano e desafios ambientais, iniciativas desse tipo apontam caminhos para transformar áreas ocupadas em territórios estruturados e integrados à cidade.
Além de beneficiar diretamente as famílias que vivem nas ocupações Rosa Leão e Helena Greco, o plano pode servir de referência para outras intervenções urbanísticas em Belo Horizonte, especialmente em regiões que enfrentam desafios semelhantes de infraestrutura e vulnerabilidade ambiental.
Com a classificação para a etapa nacional do prêmio do IAB, o projeto passa agora a disputar reconhecimento em âmbito brasileiro, ampliando a visibilidade de experiências de urbanização sustentável em assentamentos populares.

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
