Uso do produto exige treinamento específico, afirmou

Spray de pimenta para mulheres é criticado como medida superficial por promotora

Aprovação do projeto e críticas à medida

Recentemente, a aprovação de um projeto de lei que permite a comercialização e posse de spray de pimenta para mulheres a partir dos 16 anos tem gerado discussões sobre sua eficácia como ferramenta de defesa pessoal. A promotora de Justiça do Ministério Público de São Paulo e presidente do Instituto Pró-Vítima, Celeste Leite dos Santos, manifestou sua opinião sobre o tema, afirmando que essa é apenas uma medida paliativa e não uma solução definitiva para o problema da segurança pública feminina.

O projeto de lei, que agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabelece que, a partir dos 18 anos, qualquer mulher poderá adquirir o spray de pimenta, desde que apresente documento oficial com foto, comprovante de residência e um certificado comprovando a ausência de antecedentes criminais. No entanto, Celeste Leite critica a proposta, classificando-a como um exemplo de ‘populismo penal’, que cria uma falsa sensação de segurança sem abordar as consequências práticas do uso do spray.

Desafios e riscos associados ao uso do spray

A promotora Celeste Leite destacou diversos desafios e riscos associados ao uso do spray de pimenta. Ela explicou que, embora o spray seja apresentado como uma ferramenta de defesa, seu uso adequado requer treinamento específico. Por exemplo, se o spray for disparado contra o vento, ele pode voltar e atingir a própria usuária, tornando-a ainda mais vulnerável. Além disso, em situações de proximidade, há o risco do agressor tomar o spray da vítima.

Outro ponto levantado é a diferença entre os tipos de spray disponíveis, que podem ser em jato ou névoa, cada um exigindo um modo de uso distinto. Especialmente em ambientes fechados, o uso do spray pode ser desaconselhável, pois o produto pode atingir terceiros ou a própria pessoa que o utiliza. Essa complexidade no manuseio do spray sublinha a necessidade de um treinamento adequado, o qual, segundo a promotora, não foi previsto pelo governo.

Consequências legais do uso inadequado do spray

Celeste Leite também alertou para as possíveis conseqüências legais do uso inadequado do spray de pimenta. Ela mencionou que, em casos de uso desproporcional ou onde terceiros sejam atingidos, a usuária pode enfrentar penalidades, que incluem multas administrativas que variam de um a dez salários mínimos. Além disso, há a possibilidade de enfrentar processos civis por danos causados ou até mesmo responder criminalmente por lesão corporal.

A necessidade de um certificado de treinamento técnico para o manuseio do spray é um ponto defendido pela promotora, que critica a ausência de um plano governamental para garantir esse treinamento. Segundo ela, a liberação da venda sem a garantia de preparo adequado das usuárias é uma falha significativa do projeto.

Alternativas e críticas ao sistema atual

Para além do uso do spray de pimenta, Celeste Leite enfatiza a importância de métodos alternativos de defesa pessoal, que podem ser igualmente ou mais eficazes. Ela sugere que adotar uma postura segura, manter a atenção ao ambiente ao redor e utilizar técnicas básicas de defesa pessoal podem ser estratégias valiosas para prevenir agressões.

A promotora destacou a falha dos Três Poderes em atender às demandas de segurança das mulheres. Segundo ela, o Legislativo não avança em garantir igualdade; o Judiciário frequentemente não está preparado para lidar com as vítimas, gerando revitimização; e o Executivo falha em implementar políticas públicas estruturadas e preventivas. Essas críticas ressaltam a necessidade de uma abordagem mais holística e integrada para enfrentar a questão da segurança feminina.

Essa é uma medida de ‘populismo penal’, que gera na população uma falsa sensação de segurança sem considerar as consequências práticas.

Idade Requisitos para compra Volume do frasco Penalidades por uso inadequado
A partir dos 18 anos Documento com foto, comprovante de residência, sem antecedentes criminais Máximo de 50 ml Multas de 1 a 10 salários mínimos, responsabilidade civil ou penal