Início do Processo de Investigação
Em uma decisão unânime, o Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu abrir um processo para investigar o uso de conteúdo jornalístico por parte do Google. Este inquérito busca entender se a exibição de material de mídia sem remuneração aos editores está afetando a concorrência no setor de notícias.
A investigação foi originalmente iniciada em 2019 com o objetivo de avaliar as práticas do Google quanto ao uso de conteúdo produzido por empresas de mídia sem o devido pagamento. A questão é se isso constitui um abuso da posição dominante do Google no mercado.
Em 2025, houve uma tentativa de arquivamento do inquérito, mas recentemente, o presidente interino do Tribunal, Diogo Thomson de Andrade, trouxe a questão de volta à pauta, resultando na decisão de prosseguir com o processo.
Retomada do Inquérito Após Tentativa de Arquivamento
O Cade, após uma análise inicial, chegou a propor o arquivamento do inquérito alegando falta de evidências claras. No entanto, Diogo Thomson de Andrade, ao assumir a presidência interina do Tribunal, decidiu reavaliar o caso. Segundo ele, as práticas do Google podem constituir um ‘abuso exploratório de posição dominante’.
A questão central reside na ‘extração e internalização de valor econômico’ pelo Google, ao utilizar conteúdo de terceiros sem oferecer uma compensação justa. Isso ocorre em um contexto que muitos consideram de assimetria de poder entre a gigante da tecnologia e as empresas de mídia.
Diogo Thomson enfatizou a falta de ‘alternativas efetivas’ para os publishers, o que pode agravar o desequilíbrio no mercado de notícias e buscas. Esta situação chamou a atenção do Cade para a necessidade de uma investigação mais aprofundada.
Resposta do Google às Acusações
Em resposta às ações do Cade, o Google emitiu uma nota pública afirmando que acredita haver um mal-entendido sobre o funcionamento de seus produtos. A empresa destacou que suas ferramentas, incluindo a inteligência artificial, são projetadas para apresentar links para uma ampla gama de resultados, o que, segundo eles, cria novas oportunidades para que sites e conteúdos relevantes sejam descobertos.
O Google também expressou disposição para continuar o diálogo com o Cade, afirmando estar aberto a fornecer quaisquer esclarecimentos necessários sobre suas práticas. A empresa reforçou seu compromisso em garantir que o ambiente digital seja benéfico para todos os envolvidos.
Impactos e Implicações para o Mercado de Mídia
A decisão do Cade de investigar o Google novamente traz à tona debates sobre a relação entre gigantes da tecnologia e os produtores de conteúdo. O uso de conteúdo jornalístico sem compensação é uma questão sensível, pois afeta diretamente a sustentabilidade financeira das empresas de mídia.
Nos últimos anos, a dependência de plataformas como o Google para distribuição de conteúdo tem crescido. Isso levanta questões sobre como as receitas geradas por este conteúdo são compartilhadas e se há uma divisão justa desse valor.
Especialistas do setor alertam que, se não reguladas adequadamente, as práticas das grandes empresas de tecnologia podem levar a um enfraquecimento dos veículos de comunicação tradicionais, impactando negativamente a pluralidade e a diversidade de vozes no jornalismo.
Cenário Internacional e Aspectos Legais
A investigação do Cade ocorre em um contexto global onde várias jurisdições estão questionando o papel das grandes empresas de tecnologia na economia digital. Países como a Austrália e a França já implementaram regulamentações exigindo que empresas como o Google e o Facebook paguem pelos conteúdos jornalísticos que utilizam.
O caso brasileiro pode ser um ponto de inflexão, estimulando novas discussões sobre leis que assegurem uma remuneração justa para os criadores de conteúdo. A questão é complexa, pois envolve não apenas aspectos econômicos, mas também o direito à informação e a liberdade de imprensa.
A decisão final do Cade poderá influenciar políticas futuras e definir precedentes sobre como os conteúdos digitais devem ser geridos e como poderá ser feita a partilha de receitas entre os gigantes da tecnologia e os produtores de conteúdo.
A conduta do Google poderia configurar ‘eventual abuso exploratório de posição dominante’.

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
