supermercado_economia_20220729_0889

Cesta básica fica mais cara em todas as capitais brasileiras em março

Inflação atinge as capitais

O mês de março foi marcado por um aumento generalizado nos preços da cesta básica em todas as capitais brasileiras, incluindo o Distrito Federal. Este fenômeno inflacionário foi revelado pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, um estudo conduzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A cidade de Manaus liderou este movimento de alta, registrando uma variação de 7,42% no custo médio da cesta básica. Logo atrás, vieram capitais como Salvador, com um aumento de 7,15%, e Recife, que teve um acréscimo de 6,97%. Maceió, Belo Horizonte e Aracaju também figuraram entre as cidades com os maiores aumentos, todas com variações superiores a 6%.

O impacto acumulado em 2026

Desde o início de 2026, todas as capitais do país têm registrado um aumento nos preços da cesta básica. Esses aumentos variaram de 0,77% a impressionantes 10,93%, com São Luís e Aracaju representando os extremos desta escala, respectivamente.

Este aumento acumulado reflete fatores como a escassez de oferta de alguns produtos essenciais, que têm pressionado os preços para cima. As dificuldades na colheita de alimentos básicos, como o feijão, desempenham um papel significativo nesta dinâmica de preços.

Feijão e outros vilões da inflação

O feijão, em suas variedades preta e carioca, foi um dos grandes responsáveis pelo aumento nos custos em março. O grão preto, consumido em capitais do sul do Brasil, além do Rio de Janeiro e Vitória, apresentou aumentos que variaram de 1,68% em Curitiba a 7,17% em Florianópolis. Já o feijão carioca, mais comum nas demais capitais, teve uma variação ainda mais expressiva, chegando a 21,48% em Belém.

Além do feijão, outros produtos contribuíram significativamente para o aumento dos preços. A elevação nos preços do tomate, da carne bovina de primeira e do leite integral também foi registrada, pressionando ainda mais o orçamento das famílias brasileiras.

Custo da cesta básica pelo Brasil

A capital paulista apresentou o custo médio mais alto para a cesta básica em março, atingindo R$ 883,94. Seguindo de perto, o Rio de Janeiro registrou um custo médio de R$ 867,97, e Cuiabá, R$ 838,40. Florianópolis também se destacou com um custo de R$ 824,35.

Em contraste, as capitais do Norte e Nordeste registraram os menores custos médios. Aracaju apresentou o menor valor, com R$ 598,45, seguida por Porto Velho com R$ 623,42, São Luís com R$ 634,26 e Rio Branco com R$ 641,15. Essa diferença regional se deve, em parte, à composição distinta da cesta básica nessas regiões.

O desafio do salário-mínimo

Diante do cenário de aumento de preços, o Dieese realizou cálculos para estimar o salário-mínimo necessário para cobrir as despesas básicas de uma família brasileira. Considerando que a cesta básica mais cara foi registrada em São Paulo, o salário-mínimo deveria ser de R$ 7.425,99 para atender às necessidades de alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Essa estimativa é 4,58 vezes maior que o salário-mínimo atual, fixado em R$ 1.621,00, ilustrando o desafio enfrentado por milhares de famílias que lutam para equilibrar suas despesas em meio a crescentes pressões econômicas.

A cidade de Manaus liderou este movimento de alta, registrando uma variação de 7,42% no custo médio da cesta básica.

Capital Custo Médio (R$) Variação (%)
São Paulo 883,94 7,42
Rio de Janeiro 867,97 6,97
Cuiabá 838,40 6,76
Florianópolis 824,35 6,44
Aracaju 598,45 10,93