Revitalizar o Centro de BH

Projeto de revitalização do Centro de BH avança na Câmara com incentivos fiscais e isenções

Iniciativa busca transformar o coração da capital mineira

A Câmara Municipal de Belo Horizonte deu um passo significativo nesta segunda-feira (30) ao aprovar, em primeiro turno, o projeto de lei destinado à revitalização da Região Central da cidade. De autoria do prefeito Álvaro Damião, do União Brasil, a proposta busca transformar a área por meio de incentivos fiscais e outras medidas de estímulo.

O projeto recebeu ampla aprovação dos vereadores, com 33 votos favoráveis contra apenas cinco contrários, e nenhuma abstenção. Essa iniciativa visa não apenas modernizar o centro urbano, mas também impulsionar o desenvolvimento econômico e social da região, que é considerada estratégica para a capital mineira.

Detalhes do projeto e incentivos propostos

O cerne do projeto de revitalização está na divisão dos bairros da região central em duas áreas, cada uma com estratégias específicas de intervenção. Uma das principais medidas é a isenção de outorga onerosa para projetos protocolados nos primeiros dois anos de vigência da nova lei, permitindo que esses empreendimentos sejam realizados sem o pagamento da taxa normalmente cobrada para construir acima do limite básico.

Além disso, o projeto prevê que empreendimentos, em particular aqueles voltados para habitações sociais e a conclusão de obras abandonadas, sejam dispensados do licenciamento urbanístico e do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) em casos específicos, facilitando o processo de aprovação e início das construções.

Para atrair investidores e estimular a construção, a prefeitura propõe isenções fiscais adicionais, incluindo a isenção do pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) durante o período das obras, com um limite de até 48 meses, e por até 10 anos para habitações de interesse social. Outra medida importante é o perdão de débitos de IPTU constituídos até 2020 para imóveis que passarem por retrofit, uma reforma que moderniza as estruturas já existentes.

Expectativas de arrecadação e críticas à proposta

O prefeito Álvaro Damião defende que, apesar da renúncia fiscal prevista, a cidade espera uma ‘expressiva arrecadação’ de receitas provenientes dos impostos incidentes sobre as novas obras e edificações. Segundo ele, essa arrecadação pode compensar ou até superar a renúncia de receita estimada, tornando o projeto financeiramente viável e vantajoso para o município.

No entanto, o projeto enfrentou críticas de alguns parlamentares, especialmente do PT e do PSOL. Esses legisladores concordam que a revitalização é necessária, mas argumentam que a proposta não leva em consideração as peculiaridades de cada bairro da região central. Eles também expressaram preocupação com a tramitação ‘acelerada’ do projeto, sugerindo que ele pode beneficiar desproporcionalmente os empresários do setor imobiliário, sem necessariamente atender às necessidades das populações mais vulneráveis, especialmente em relação à moradia e ao transporte público.

Processo legislativo e próximos passos

Durante a tramitação do projeto em primeiro turno, foram propostas 36 emendas ao texto original. Uma emenda significativa foi apresentada pelo líder de governo na Câmara, vereador Bruno Miranda, do PDT. Ele destacou que seu substitutivo abrange demandas populares, tentando equilibrar as necessidades dos moradores com as intenções de desenvolvimento urbano.

Após a aprovação em primeiro turno, o projeto retorna às comissões para uma análise mais detalhada em segundo turno. Essa etapa é crucial para ajustar o texto de maneira que contemple as demandas da população e minimize os impactos negativos apontados pelas críticas. Somente depois de uma nova votação em plenário, o projeto poderá ser enviado para sanção final do prefeito Álvaro Damião.

Importância da revitalização para Belo Horizonte

A proposta propõe a revitalização do Centro de BH através de incentivos fiscais Foto Arquivo: JCA

A revitalização do Centro de Belo Horizonte é vista como uma oportunidade para revitalizar uma área histórica e culturalmente significativa para a cidade. Historicamente, o centro foi o coração pulsante da capital mineira, mas, nas últimas décadas, enfrentou desafios como o aumento da criminalidade, a degradação de imóveis e a migração de negócios para outras regiões da cidade.

A expectativa é que, com as medidas propostas, a região central se torne mais atraente para moradores e investidores, promovendo não apenas o desenvolvimento econômico, mas também melhorando a qualidade de vida dos cidadãos. Essa revitalização tem o potencial de se tornar um modelo para outras cidades brasileiras que enfrentam desafios semelhantes em suas áreas centrais.

O município espera uma ‘expressiva arrecadação’ de receitas provenientes do imposto incidente nas obras e edificações que serão executadas.

Votos a Favor Votos Contrários Abstenções
33 5 0