Projeto Nossa Voz no Prato ouviu estudantes de 118 escolas e levou mudanças aos cardápios; canjiquinha, ovos mexidos e salada de frutas estão entre os preferidos
Canjiquinha, ovos mexidos, sopas, caldos e salada de frutas estão entre as preparações preferidas dos estudantes da rede municipal de ensino de Belo Horizonte. As escolhas foram identificadas por meio do projeto Nossa Voz no Prato, iniciativa da Prefeitura que abriu espaço para a participação de alunos, familiares e profissionais da Educação na discussão sobre a alimentação oferecida nas escolas.
O levantamento envolveu a comunidade escolar de 118 unidades de ensino e resultou em mudanças nos cardápios, com a inclusão de preparações mais bem avaliadas pelos estudantes e a adaptação de alimentos que apresentaram menor aceitação.
A iniciativa foi desenvolvida pela Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (SMSAN), com apoio da Secretaria Municipal de Educação (Smed). O objetivo foi aproximar as refeições escolares das preferências dos alunos, sem comprometer a qualidade nutricional e as necessidades alimentares de cada faixa etária.
Canjiquinha liderou a votação na educação infantil
Na educação infantil, a canjiquinha foi a preparação mais votada, alcançando 98,3% de preferência. Em seguida apareceram sopas e caldos, com 96,6%, e ovos mexidos, com 77,6%.
Confira as cinco preparações mais votadas nessa etapa:
- Canjiquinha: 98,3%;
- Sopas e caldos: 96,6%;
- Ovos mexidos: 77,6%;
- Salada de frutas: 55,2%;
- Feijão enriquecido: 51,7%.
No ensino fundamental, os ovos mexidos conquistaram a primeira colocação, com 82,8% dos votos. A salada de frutas ficou em segundo lugar, com 63,8%, seguida pela canjiquinha, com 60,3%.
Veja o resultado:
- Ovos mexidos: 82,8%;
- Salada de frutas: 63,8%;
- Canjiquinha: 60,3%;
- Feijão enriquecido: 50%;
- Polenta com carne moída: 36,2%.
Pratos com menor aceitação foram adaptados
A consulta também identificou preparações que tiveram menor aceitação entre os estudantes. Com base nas manifestações da comunidade escolar, itens como leite saborizado, ovos cozidos com molho, mingau de fubá e aveia, vitaminas e cremosinho passaram por adaptações ou foram substituídos nos cardápios.
A proposta não é simplesmente oferecer aos alunos tudo o que eles preferem, mas conciliar as escolhas da comunidade escolar com os critérios técnicos de nutrição e alimentação saudável.
Os cardápios continuam sendo elaborados por nutricionistas da SMSAN, considerando as necessidades nutricionais, a faixa etária, os hábitos alimentares e a cultura local.
Participação dos estudantes já trouxe mudanças às escolas
A iniciativa também apresentou resultados concretos nas unidades de ensino.
Na Escola Municipal Fernando Dias Costa, localizada no Conjunto Taquaril, entre os pratos mais apreciados pelos alunos estão estrogonofe de frango, coxa e sobrecoxa assadas, feijão tropeiro e macarrão ao alho e óleo.
Já na Escola Municipal Sebastião Guilherme de Oliveira, no bairro Olaria, região do Barreiro, o pão à bolonhesa, uma das preparações sugeridas, passou a integrar a alimentação escolar e conquistou a preferência dos estudantes.
Outro exemplo é a sobremesa Delícia Tropical, preparada com frutas e oferecida como alternativa refrescante nos dias mais quentes.
Para a Prefeitura, a participação dos estudantes nas escolhas fortalece o sentimento de pertencimento e mostra que a opinião das crianças e adolescentes pode contribuir para o aprimoramento das políticas públicas de educação e alimentação.
Alimentação escolar atende milhares de estudantes em BH
O Programa Municipal de Alimentação Escolar (PMAE) atende alunos da educação infantil, do ensino fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), matriculados nas escolas municipais e instituições parceiras.
Dependendo da etapa de ensino e do período de permanência na unidade escolar, são oferecidas de uma a cinco refeições por dia letivo.
Os cardápios priorizam alimentos in natura ou minimamente processados e também são adaptados para atender estudantes com necessidades alimentares específicas, como diabetes, doença celíaca, alergias e intolerâncias alimentares.
A política municipal segue as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que estabelece critérios para garantir refeições adequadas, saudáveis e equilibradas aos estudantes da rede pública.
Outro aspecto importante é a participação da agricultura familiar no fornecimento dos alimentos. O PNAE determina que, no mínimo, 45% dos recursos federais destinados à aquisição de gêneros alimentícios sejam aplicados na compra direta da agricultura familiar.
Com o projeto Nossa Voz no Prato, a Prefeitura busca fortalecer a participação da comunidade escolar na construção dos cardápios, aproximando as refeições servidas diariamente das preferências dos estudantes, sem deixar de lado a saúde e a qualidade nutricional dos alimentos.

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
