São nove medicamentos indicados para 13 diferentes tratamentos

SUS começa a oferecer nove novos medicamentos contra o câncer; Minas Gerais está entre os estados contemplados

Tratamentos de alta tecnologia atendem 13 indicações oncológicas e podem beneficiar mais de 116 mil pacientes; Ministério da Saúde também anuncia testes para rastreamento do câncer de intestino

Pacientes com câncer atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) começam a contar com novas opções de tratamento. O Ministério da Saúde iniciou, nesta semana, a oferta de nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia, destinados a 13 diferentes indicações terapêuticas. A expectativa é beneficiar mais de 116 mil pessoas em todo o país.

A nova oferta contempla pacientes com diferentes tipos de câncer, incluindo tumores de mama, próstata, pulmão, rim, estômago e tireoide, além de alguns tipos de leucemia e linfomas.

Minas Gerais está entre os estados incluídos na primeira etapa de implantação da medida, que começa em 20 centros especializados distribuídos pelas diferentes regiões brasileiras. A previsão do Ministério da Saúde é ampliar a disponibilização para os demais serviços oncológicos habilitados até o final de 2026.

Segundo o governo federal, a aquisição dos nove medicamentos terá impacto financeiro estimado em R$ 155,4 milhões por ano.

Nove medicamentos ampliam as opções de tratamento no SUS

A relação divulgada pelo Ministério da Saúde inclui medicamentos utilizados em diferentes etapas do tratamento oncológico. Alguns são destinados a pacientes com doença avançada ou metastática, enquanto outros podem ser utilizados após procedimentos cirúrgicos, com o objetivo de reduzir o risco de retorno do câncer.

Confira os nove medicamentos e suas respectivas indicações:

1. Trastuzumabe

Passa a contemplar também determinados casos de câncer de estômago e da junção esofagogástrica. O medicamento já era utilizado no SUS para o tratamento de câncer de mama.

2. Abemaciclibe

Indicado para pacientes com câncer de mama em estágio inicial, com receptores hormonais positivos (RH+), HER2 negativo e comprometimento de linfonodos.

3. Acetato de lanreotida

Destinado ao tratamento de determinados tumores neuroendócrinos, que podem se desenvolver em diferentes órgãos do organismo.

4. Pazopanibe

Indicado para pacientes com câncer renal de células claras em estágio metastático.

5. Rituximabe

Amplia as possibilidades de tratamento para leucemia linfocítica crônica e determinados tipos de linfoma, incluindo o folicular e o difuso.

6. Abiraterona

Utilizada no tratamento de diferentes situações de câncer de próstata, incluindo casos resistentes à hormonioterapia e doença metastática.

7. Gefitinibe

Indicado para pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas, em primeira linha de tratamento.

8. TSH recombinante (alfatirotropina)

Utilizado em situações específicas de câncer diferenciado de tireoide, quando há indicação de tratamento com iodo radioativo.

9. Sunitinibe

Destinado a pacientes com câncer renal de células claras metastático e tumores estromais gastrointestinais (GIST) avançados ou metastáticos após falha ao tratamento com imatinibe.

As indicações dependem do tipo de tumor, do estágio da doença e das características clínicas de cada paciente. A utilização dos medicamentos exige avaliação e indicação da equipe médica responsável.

Minas Gerais está incluída na primeira etapa

A implantação inicial contempla serviços especializados localizados em Minas Gerais e em outros estados brasileiros, além do Distrito Federal.

De acordo com o Ministério da Saúde, a distribuição começa em 20 centros de tratamento. A expectativa é que a oferta seja ampliada gradualmente para os demais serviços oncológicos do país até dezembro.

A inclusão de Minas Gerais é importante para a ampliação do acesso aos tratamentos na rede pública estadual. Entretanto, a divulgação do governo federal não apresenta, na notícia, a relação individualizada dos hospitais mineiros que receberão os medicamentos nesta primeira etapa.

Medicamento contra câncer de mama pode custar até R$ 366 mil na rede privada

Entre os medicamentos anunciados está o abemaciclibe, utilizado em situações específicas de câncer de mama.

Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento pode custar aproximadamente R$ 366 mil na rede privada, representando uma barreira financeira para pacientes que necessitam dessa terapia.

A disponibilização pelo SUS amplia a possibilidade de acesso ao medicamento para pessoas que atendam aos critérios clínicos estabelecidos.

A medida integra a reorganização da assistência farmacêutica oncológica, denominada AF-Onco, que busca melhorar a aquisição, a distribuição e o financiamento dos medicamentos utilizados no tratamento do câncer.

O governo federal também pretende disponibilizar outros medicamentos e novas indicações terapêuticas. A previsão é chegar a 23 novos tratamentos oncológicos até o final de 2026, ampliando em 35% as alternativas disponíveis na rede pública.

SUS também vai distribuir 400 mil testes para rastreamento do câncer de intestino

Outra medida anunciada pelo Ministério da Saúde é a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais, conhecidos como FIT, destinados ao rastreamento do câncer colorretal, que atinge o intestino grosso e o reto.

A implementação será gradual, com início previsto para novembro de 2026 nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) das capitais e dos municípios com mais de 500 mil habitantes.

A estratégia será direcionada a homens e mulheres assintomáticos, com idade entre 50 e 75 anos.

O teste identifica pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem estar relacionadas à presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou tumores.

Quando o resultado indicar necessidade de investigação, o paciente deverá ser encaminhado para avaliação e exames complementares, como a colonoscopia, que permite confirmar ou descartar alterações.

De acordo com o Ministério da Saúde, o teste FIT apresenta precisão de até 92%.

Ampliação do atendimento oncológico na rede pública

As novas medidas fazem parte de uma estratégia do governo federal para ampliar o atendimento aos pacientes com câncer, melhorar o acesso ao diagnóstico e reduzir dificuldades na oferta de tratamentos de alto custo.

A reorganização da assistência farmacêutica oncológica prevê investimento de aproximadamente R$ 4 bilhões por ano para viabilizar a disponibilização dos 23 medicamentos e tratamentos previstos.

A iniciativa representa um avanço na oferta de terapias pelo SUS, mas sua efetividade dependerá da implantação nos serviços de saúde, da regularidade no abastecimento e da capacidade de atendimento da rede especializada.

Para os pacientes e familiares, é importante procurar a equipe responsável pelo acompanhamento oncológico para verificar se o novo medicamento corresponde à indicação clínica do tratamento.