Agência também suspendeu comércio de peptídeos sem registro

Anvisa proíbe venda de insulina e tirzepatida irregulares e determina recolhimento de medicamentos

Agência reguladora identificou empresas sem autorização sanitária, produtos sem registro e problemas de qualidade em medicamentos comercializados no país. Medidas também atingem peptídeos vendidos pela internet.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização e o uso de todos os lotes de insulina produzidos por uma empresa sem autorização sanitária para distribuir medicamentos. A decisão, publicada no Diário Oficial da União em 6 de outubro de 2026, também suspendeu a venda de tirzepatida e outros peptídeos sem registro, além de determinar o recolhimento de lotes de dois medicamentos que apresentaram problemas de qualidade.

As medidas têm como objetivo impedir a circulação de produtos que não atendem às exigências sanitárias brasileiras e que podem representar riscos à saúde dos consumidores.

Insulina era distribuída por empresa sem autorização sanitária

A determinação da Anvisa alcança todos os lotes de insulina produzidos pela empresa Costa Mar Comércio Licitatório Ltda.

Segundo a agência reguladora, a empresa distribuiu insulina glargina 3 mL/100 UI sem possuir Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) para exercer a atividade de distribuição de medicamentos.

Uma inspeção realizada pela Vigilância Sanitária de Petrópolis (RJ), no início de setembro, identificou que a empresa não funcionava no endereço informado em seu cadastro e não possuía licença sanitária identificada naquele local.

Diante das irregularidades, a Anvisa proibiu a comercialização e o uso de todos os lotes do produto.

Tirzepatida e peptídeos também entram na lista de proibições

A resolução da Anvisa também determinou a proibição da venda de diversos peptídeos sem registro, comercializados por meio de plataformas na internet.

Entre os produtos está o Tirzegen 60 mg, que contém tirzepatida e é comercializado pela marca Oxygen Pharm.

A proibição alcança produtos vendidos pelo site Peptideospro e também peptídeos sem notificação ou cadastro na Anvisa, fabricados por empresa desconhecida e comercializados pela plataforma Peptideos do Brasil.

De acordo com a agência, os produtos irregulares não podem ser vendidos, fabricados, distribuídos, divulgados, transportados ou utilizados. A determinação também se aplica a pessoas físicas, empresas e veículos de comunicação.

A lista de produtos proibidos inclui:

  • BPC157 & TB500 40 mg – Alluvi Healthcare;

  • NAD+ 1000 mg – Synedica Labs;

  • Tirzegen 60 mg (tirzepatida) – Oxygen Pharm;

  • Retagen 40 mg (retatrutide) – Oxygen Pharm;

  • Glow GHK-CU 70 mg – Alluvi Healthcare;

  • Retatrutide 40 mg – Alluvi Healthcare.

Os produtos devem ser apreendidos, conforme determinação da Anvisa.

Entenda o que são os peptídeos

Os peptídeos são moléculas produzidas pelo organismo humano e desempenham diferentes funções biológicas. Podem atuar como hormônios e participar da regulação de processos relacionados à cicatrização e à resposta imunológica.

Entre as substâncias que ganharam destaque nos últimos anos estão a tirzepatida e a semaglutida, que imitam a atuação de um hormônio relacionado à regulação da saciedade e dos níveis de açúcar no sangue.

Essas substâncias são conhecidas popularmente como canetas emagrecedoras e também são utilizadas em tratamentos médicos específicos.

Entretanto, a comercialização de produtos sem registro ou autorização sanitária não oferece as mesmas garantias regulatórias exigidas para medicamentos regularizados.

Anvisa determina recolhimento de antibiótico e outro medicamento

Além das proibições envolvendo insulina e peptídeos, a agência determinou a suspensão da venda, distribuição e utilização de dois medicamentos.

O primeiro é o Imaavy, de 300 mg, fabricado pela Janssen-Cilag Farmacêutica. A empresa comunicou o recolhimento voluntário do lote JNYJ1201 após identificar a possibilidade de presença de partículas de vidro no interior dos frascos.

A segunda determinação envolve o medicamento Lizbi, de 2 mg/ml, fabricado pela Halex Istar Indústria Farmacêutica.

Nesse caso, foi confirmado um desvio de qualidade relacionado à perda de esterilidade da solução, provocado pelo comprometimento da integridade da embalagem primária.

A medida determina o recolhimento do lote 0000207107.

Orientação aos consumidores

As determinações da Anvisa reforçam a importância de verificar a procedência dos medicamentos e adquirir produtos somente em estabelecimentos regularizados.

O consumidor deve ter atenção especial às ofertas de medicamentos e substâncias comercializadas pela internet, principalmente quando não apresentam informações claras sobre registro, fabricante e autorização sanitária.

As proibições publicadas pela agência abrangem produtos específicos e lotes identificados nas respectivas resoluções. Por isso, é importante consultar os comunicados oficiais antes de adquirir ou utilizar medicamentos envolvidos nas medidas.

A fiscalização sanitária busca impedir que produtos irregulares cheguem à população e assegurar que os medicamentos comercializados no Brasil atendam aos requisitos de qualidade e segurança.