As apostas no Brasil são mais do que uma questão de entretenimento ou um risco de vício. Elas representam um impacto econômico significativo que vai além das finanças pessoais dos cidadãos. Um estudo recente conduzido por Guilherme Klein, economista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) publicda pela BBC Brasil, destaca o efeito potencialmente devastador das apostas sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
Segundo a pesquisa, as apostas podem subtrair entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da economia brasileira em 2025. Este impacto equivale a uma redução de 0,9% a 1,1% do PIB, uma perda considerável quando comparada ao crescimento econômico previsto para o mesmo ano.
Comparações com o Tarifaço de Trump
Para contextualizar a magnitude desse impacto, Klein comparou a perda potencial causada pelas apostas com as tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. De acordo com a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, essas tarifas poderiam reduzir o PIB brasileiro em 0,2 ponto percentual, uma perda significativamente menor do que a causada por apostas.
As tarifas dos EUA, que foram prorrogadas com taxas adicionais, têm um efeito considerável, mas o impacto das apostas é estimado em até cinco vezes maior, destacando a importância de entender e mitigar os efeitos desse setor na economia brasileira.
A Transferência de Recursos para Plataformas de Apostas
O estudo de Klein baseia-se na transferência líquida de recursos das famílias para as plataformas de apostas. Essa diferença entre o dinheiro gasto nas apostas e o retorno recebido é crucial para entender o impacto econômico. Estima-se que esta transferência líquida seja de aproximadamente R$ 62,5 bilhões em 2025.
Este valor é significativo porque cada real gasto em apostas representa um real a menos disponível para o consumo, afetando diretamente a dinâmica econômica. As famílias de menor renda, que gastam uma maior proporção de seus rendimentos em consumo, são as mais afetadas por essa transferência.
Efeitos na Desigualdade e na Arrecadação
Além do impacto direto no PIB, as apostas também têm consequências para a arrecadação do governo. Com a redução do consumo, há uma diminuição na arrecadação de tributos indiretos como o ICMS e o ISS. Klein estima que a perda na arrecadação pode variar de R$ 22 bilhões a R$ 46 bilhões.
No que diz respeito à desigualdade, o estudo sugere que as apostas podem concentrar ainda mais a renda no topo da pirâmide social. Dependendo do cenário, a concentração da renda pode aumentar entre 0,5% e 2,1%, exacerbando ainda mais as desigualdades em um dos países mais desiguais do mundo.
Recomendações de Políticas e Reações do Setor
Diante desses dados, Klein defende um aumento na tributação das apostas para mitigar seus efeitos negativos. Ele compara a situação com a tributação do tabaco, que é altamente taxado para cobrir seus custos sociais.
Entidades representativas do setor de apostas, como a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), pedem cautela na interpretação dos resultados. Elas argumentam que a metodologia do estudo pode superestimar os impactos e que o setor também traz benefícios como geração de empregos e arrecadação tributária.
As apostas não representam apenas entretenimento; configuram-se como um risco sistêmico para a saúde financeira das famílias, drenando recursos que seriam destinados ao consumo produtivo.
| Ano | Impacto estimado das apostas no PIB (%) | Impacto estimado das tarifas dos EUA no PIB (%) |
|---|---|---|
| 2025 | 0,9% a 1,1% | 0,2% |

Formado em Comunicação Social pela Estácio BH, bacharel em Publicidade & Propaganda, é jornalista por opção. Fundador do Jornal & Portal COMUNIDADE EM AÇÃO (1996) Ainda menor de idade trabalhou do Departamento de Relações Públicas do Incra, despertando para o jornalismo. Atuou no marketing/vendas da ANTÁRCTICA, em seguida no marketing da COCA-COLA / KAIZER, PEPSI-COLA e AMBEV. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi assessor de vereadores e membro do Colegiado de Comunicação.
