E agora Kalil?

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 A eleição acabou, o povo voto, a eleição você levou mas não ganhou, e agora Kalil?

Os versos acima remete ao poema José, autoria Carlos Drumond de Andrade, que mostra uma visão pessimista do cotidiano que tem como tema central a solidão do homem na sua falta de espaço; revela uma profunda angústia pela vida.

No inicio do poema fica registrado que alegria e a felicidade existiram mas “a festa acabou”. Restou a escuridão, o frio e o abandono deixando José sozinho.

Na gestão política ou empresarial a solidão é comum no momento de decisão. Kalil foi eleito nas urnas, mas não ganhou a confiança do belo-horizontino perdeu para os votos brancos/nulos e abstenções. A semelhança do poema mostra o desanimo e angustia do eleitor com a politica. Não podemos dizer que Kalil está só, ele tem mais de 600 mil eleitores que votaram nele e um grupo de políticos querendo espaço no seu governo em 2017.Para governar Kalil terá muitos desafios.

Na regional Norte obras paralisadas e outras do OP que não saíram do papel é a maior duvida de lideranças que esperam pela resposta.

Kalil terá muitos desafios na Região Norte

Fazendo uma campanha despolitizada e com um discurso popular Alexandre Kalil foi eleito prefeito de Belo Horizonte. Ele venceu no segundo turno com 628.050 votos, o segundo colocado João Leite (PSDB) obteve 557.346 votos  depois  de terminar o primeiro turno na frente dos dez outros candidatos.

O candidato do Partido Humanista da Solidariedade (PHS) tinha pouco tempo de televisão –  em torno de 20” – para fazer propaganda. Kalil adotou a proposta que não iria prometer nada e que vai consertar o que está errado. A sua estrategia de campanha, embora ele negue que a tivesse, foi de falar aquilo que o eleitor queria ouvir,“chega de politico”. Para os políticos e marqueteiros que estavam atentos as manifestações desde 2013, somados aos escândalos dos mensalões e    impeachment perceberam a insatisfação do eleitor, previam que os resultados das urnas nesta eleição seriam diferentes. E o candidato à prefeitura acertou. Os votos em branco, nulos

Av. Basílio da Gama foi a segunda obra no OP Digital de 2011 e não tem o projeto pronto – Foto Marcos Silva /JCAe abstenções nos dois turnos retratam a nova realidade politica brasileira

 

 

 

A bandeira do antipolítico

 

O novo prédio da UPA Norte aguarda pela conclusão da obra há anos. A UPA já deveria estar funcionando na VIA 240 assim como a farmácia anexo – Foto: Marcos Silva / JCA

Durante os 45 dias de campanha do primeiro turno, Kalil empunhando a bandeira do antipolítico, viu a fileira adeptos das suas ideias crescer.  As pesquisas foram apontando que a sua proposta corroborava com eleitores que estavam descrentes com a politica. O termômetro da insatisfação foram as redes sociais. Se por um lado o eleitor manifestava a sua indignação, a internet também serviu de fonte de informações. É sabido que nem todas elas são confiáveis, mas mostraram que o modelo politico tinha mudado e foi na internet que os eleitores e o candidato consolidaram as suas informações. As candidaturas dos apadrinhamentos dos caciques políticos não funcionaram. Nem mesmo o reforço de ultima hora dos senadores Aécio Neves, Antônio Anastásia, da “dama de ferro” Andréa Neves e os deputados não agregaram em nada na campanha do João Leite no segundo turno.

Das nove regionais na divisão geopolítica do município, João Leite venceu em uma, centro-sul que tem três zonas eleitorais onde concentram-se os moradores com maior poder aquisitivo da cidade. Nas demais Kalil venceu com margens significativas à frente do candidato tucano (veja o box). Sempre com um discurso popular semelhante usado pelos petistas que agrada a base da pirâmide social.

Perfil do Kalil – Pai de três filhos, Kalil tem a família como referencia. Com frequência  nome do pai, Elias Kalil está presente nas suas conversas ou entrevistas. Separado, Kalil namora há dez anos, a paisagista Ana Laender. Assim como seu pai (falecido em 1992), Alexandre Kalil, é ex-presidente do Atlético. Em 2013, após a conquista do título da Libertadores pelo Galo, Kalil atribuiu ao pai o escorregão de um atacante adversário que saía de cara para o gol vazio: “Foi papai, lá do céu, que puxou a perna dele”. Ao confirmar a sua vitória nas urnas, Kalil disse: “Tenho certeza de que vai ficar orgulhoso de me ver cuidando da cidade”.

No campo das propostas dos candidatos à prefeitura pouco se viu de novidades que despertasse atenção do eleitor nos dois turnos da eleição. Muitas acusações por parte dos candidatos nos horários gratuitos ou debates na TV. O alvo principal era o Kalil que nas pesquisas estava em segundo lugar. O segundo candidato do Marcio Lacerda (PSB) o atual prefeito – o primeiro, Paulo Brant, foi retirado por Lacerda da campanha, Délio Malheiros (PSD) usou mais o tempo para defender a atual gestor da cidade da qual ele é vice prefeito e na tentativa de desconstruir a imagem do Kalil. Enquanto isso o candidato do PMDB, Rodrigo Pacheco, cresceu nas pesquisas e terminou o primeiro turno em terceiro lugar.

Para o segundo turno, João Leite viu o seu concorrente Kalil crescer nas pesquisas. Ambos tinham na TV e rádio tempo igual. Diante da ameaça os marqueteiros dos tucanos mudaram a estratégia de comunicação. A proposta foi mostrar que Kalil era ruim patrão, mal pagador entre outras acusações, mais uma vez não funcionou. Embora a questão esportivas e religiosas estavam nas conversas dos eleitores nos centros de saúde, bares, nos ônibus, elas não foram determinantes segundo os analistas políticos ouvidos pela imprensa da Capital.

Com tempo maior no horário gratuito para divulgar suas propostas, os estrategistas da campanha do Kalil, reforçaram as propostas que ele era o único “gestor dos pobres” ao afirmar que vai consertar aquilo que não funciona na cidade.

Os eleitores dos partidos da esquerda ficaram divididos, uns optaram pela terceira via (nulos e brancos). Outros votaram no Kalil em forma de protesto contra e por fazer um discurso mais realista e alinhado ao descontentamento da população com a politica.

Pai dos pobres

Eleito Kalil terá muitos desafios e dificuldades para governar a cidade. Durante a campanha  ele dizia que a conversa era com o povo, colocando-se como pai dos pobres. Fez criticas pelas redes sociais e nos programas eleitorais aos sistemas públicos de saúde, transporte e segurança, habitação e infraestrutura. Prometeu que tudo “que esta ai vai ter que funcionar” e “que o povo precisa é de carinho”. Ele abriu mão de conversar com os políticos e dos apoios deles na sua campanha. Poucos conseguiram furar a redoma (o cinturão) que envolvia o candidato no segundo turno. Quem coordenou e ainda esta à frente  da articulação politica é o vice eleito e atual deputado estadual Paulo Lamac (Rede).  

A duvida na cabeça das lideranças e militantes sociais é, como ficarão as demandas da cidade? Obras de infraestruturas, educação, mobilidade e segurança pública pulam do patamar do discurso politico para ação? Como isto se dará na pratica?

Enquanto não há respostas para estes questionamentos, resta fazer aqui um recorte dos problemas da cidade. A Regional Norte na escala dos problemas da cidade fica sempre em último plano nas soluções das demandas. Temos uma população de 210 mil moradores, 19 escolas municipais, nove Umeis, 19 centros de saúde e uma UPA, a mesma que o candidato Kalil visitou de madrugada e classificou de esculhambação o atendimento no vídeo postado nas redes sociais.

Obras do Orçamento Participativo, segundo o site da Prefeitura de Belo Horizonte, são duas em execução na regional norte: Urbanização da Rua Júlio Ribeiro – Tupi Lajedo – As ruas Padre Júlio Ribeiro, Poeta João Chaves e Pintor Nunes Melo passarão por obras de urbanização. Os trabalhos consistem em serviços de terraplenagem, rede tubular de drenagem, escadaria, pavimentação asfáltica, obras complementares e paisagismo. O investimento é R$ 1.346.056,45. A previsão de término é (era) para o segundo semestre de 2014. Empreendimento 60 do OP 2007/2008 (sic).

Implantação da UPA Norte I – Obra esta paralisada, a construtora abandonou a obra e pediu destrato. Empreendimento 76 do OP 2009/2010. Na mesma condição está a reforma do Campo do Jardim Felicidade. A construtora abandonou a obra e pediu destrato. O recurso é repasse do Governo Federal com contra partida da Prefeitura.  

A Implantação de escadarias na rua Telesfran e a outra obra que consta no site da PBH para ser executada:“A PBH, por meio da Superintendência de Desenvolvimento da Capital, emitiu ordem de serviço em agosto de 2013, para dar início à execução das obras de implantação de escadaria com corrimão localizado na Rua Telesfran, no bairro Tupi, regional Norte. O empreendimento custará R$ 98.232,92 e a previsão de término é no primeiro semestre de 2014” (sic).

Mas nas reuniões da Comforça os números são diferentes e as informações estão desencontradas. Das obras sem definição da PBH estão a UPA Norte na Avenida Risoleta Neves (Via 240). Avenida Basílio da Gama obra conquistada no OP Digital de 2011 com a segunda maior votação da cidade. Praça Cândido Portinari também obra do OP Digital de 2013 entre os empreendimentos que aguardam incio da obra. O Jornal COMUNIDADE EM AÇÃO teve acesso ao relatório de outubro da Comforça/ Norte e nele constam 48 obras do OP de 2005 à 2016 que não foram realizadas.

Para o morador na avenida Basílio da Gama no bairro Tupi, José Barbara,  fica a duvida se a obra será realizada. “Há 35 an

Jose Barbara”Tenho que pagar para limpar o córrgo e aobra do OP não sai” – Foto Marcos Silva / JCA

os eu convivo com o esgoto, com ratos e lixo na minha porta. Se não quero ver a sujeira parada aqui, tenho que pagar R$60,00 toda semana para uma pessoa limpar o córrego” explica José Barbara. Ele está em duvida se o novo prefeito, vai manter o programa do OP na sua gestão. Enquanto a obra da Basílio da Gama do OP Digital 2011 ainda não tem o projeto pronto, a praça Cândido Portinari que também foi aprovada no OP Digital de 2013 o projeto está pronto e foi apresentado para os moradores, porem aguarda por licitação. 

Com relação a UPA Norte a dona de casa Maria Conceição, moradora do bairro Monte Azul, quer ver o concluída a obra do prédio novo “e com atendimento médico digno, sem esculhambação como ele (Kalil) falou. Não dá para você levar o filho da gente e ficar cinco ou seis horas ou até mais aguardando o médico”, diz auxiliar de serviço gerais.

O delegado da Comforça, Robson Motta, tem uma expectativa: “o Kalil, garantiu que concluir todas obras aprovadas no OP, que foi escolha da população. Eu espero que ele congele novos OPs até que todas as obras estejam pelo menos em execução, seria o mais viável. Não adianta ficar aprovando novas obras se ainda temos outras de 8 anos atras sem ao menos um projeto de execução.

Na edição anterior do Jornal COMUNIDADE EM AÇÃO algumas lideranças, antes da eleição, também manifestaram o que esperavam do futuro prefeito da Capital. Foram apontados os problemas críticos da região na saúde, mobilidade, desenvolvimento econômico, habitação e pior deles, a falta de dialogo com as lideranças comunitárias. O recado de Fátima Morais reflete a proposta de um novo jeito de fazer politica: “Espero que venha um prefeito que saiba e administre com o povo e que tenha fácil acesso”. Que cobre mais aproximação dos movimentos sociais e melhore as relações com os representantes. “Se não houver, como ele fará o que delegamos a ele”, completa.

Mata dos Werneck

Nesta reportagem foram abordados algumas das dificuldades que o futuro prefeito irá enfrentar. Uma delas, talvez a mais difícil será a desocupação da Mata dos Werneck, no local onde esta um grupo de sem casa que criaram a ocupação Rosa Leão junto ao Ribeirão do Isidoro. O problema vem sendo empurrado de lado para o outro entre os governantes do Município e o Estado.

O local com área de 9,5 milhões m² é superior ao projeto inicial da cidade de Belo Horizonte, é conhecida com Mata do Sanatório tem projeto aprovado para construção de uma condomínio sustentável com apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida. Uma grande parte vem sendo queimada se tornando uma grande favela desde 2013. Existe uma determinação judicial de reintegração de posse que vem sendo adiada pelo governo do Estado desde da gestão do ex.governador Anastasia.

A equipe do Kalil

Enquanto a incerteza paira sobre o futuro das obras do Orçamento Participativo, nos bastidores começa as especulações: quem fará parte do time do Kalil. Uma coisa está definida, uma Comissão  de Transição foi nomeada pelo Lacerda e publicada no Diário Oficial do Município (DOM). O coordenador por parte da PBH é Josué Valadão, da equipe do Kalil quem fará a interlocução será o vice eleito Paulo Lamac.

Nomes estão sendo colocados como possíveis secretários. O jornalista Álvaro Damião, vereador eleito pelo PSB para 2017, deverá ser o secretário de Esportes e Lazer. O médico dermatologista da Santa Casa, Jackson Machado Pinto, já é um nome certo para secretário de Saúde. Izinho Machado que foi candidato pela Rede é cotado para ser o secretário do Meio Ambiente. Ele é morador do Planalto e tem militância nas questões ambientalista da Região Norte. Destaque para a  mata do Planalto. 

Do grupo dos vereadores não reeleitos estão Bruno Miranda (PDT) e Silvinho Rezende (PSB) que apoiaram o Kalil no segundo turno, deverão assumir, pela ordem, as secretarias Regionais Norte e Venda Nova. A informação dos bastidores são que nas secretarias do primeiro escalão o Kalil quer técnicos deixando os adjuntos e secretários regionais aos vereadores que não foram reeleitos e indicações politicas. Mas por enquanto são especulações.

Eleição para Câmara surpreende

Dos 38 vereadores que disputaram a reeleição, somente 18 conseguiram manter a vaga na Câmara Municipal para a legislatura 2017/2020. Foram 56% de renovação, três não concorreram a reeleição. A surpresa foram as vereadoras eleitas pelo PSOL; Áurea Carolina e Cida Falabella, e o vereador Osvaldo Lopes do PHS que estão na listas dos eleitos  e conseguiram os votos com a mobilização pelas redes sociais. Na próxima legislatura a representação das mulheres será maior, quatro elegeram. Atualmente a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) tem somente Elaine Matozinhos como vereadora.

Os dez mais votados são: Áurea Carolina (PSOL) – 17.420, Prof. Wendel (PSB) -13.277, Welington Magalhães (PTN) – 13191, Juninho Los Hermanos (PSDB)-12.866, Bispo Fernando (PSB) – 12.645, Rafael Martins (PMDB)-11.342, Álvaro Damião – (PSB) – 10.869, Gabriel Azevedo (PHS) – 10185, Jorge Santos (PRB) – 8503.

Um recado foi dado aos políticos com a renovação, a população não aceita o modelo de fazer politica atual. A mudança é a palavra de ordem e o primeiro passo aconteceu.

 

 

 

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Jornal COMUNIDADE EM AÇÃO LTDA

O Jornal COMUNIDADE EM AÇÃO foi criado em outubro de 1996 com o fim de atender as demandas da comunidade e ser um veículo de comunicação onde os questionamentos encontrassem receptividade. O Jornal é reconhecido pelo seu prestígio, credibilidade editorial circulando nos bairros da regional Norte de Belo Horizonte / MG.

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