O QUE ESPERAR DO NOVO PREFEITO DE BH?

O QUE ESPERAR DO NOVO PREFEITO DE BH?

Notícias Nenhum comentário em O QUE ESPERAR DO NOVO PREFEITO DE BH?

O QUE ESPERAR DO NOVO PREFEITO DE BH?

Eclipart-capam outubro teremos eleições municipais, em disputa na capital mineira o cargo de prefeito – 
acompanhado do vice, e 41 vagas de vereadores. Nos bastidores da política da capital o quadro 
foi já foi defino e os candidatos já estão na reta final da disputa. O Jornal COMUNIDADE EM 
AÇÃO dá início a uma série de reportagens na cobertura das eleições. Fizemos uma enquete 
com internautas perguntando a eles sobre os problemas e sugestões para a capital. 
Ouvimos também três líderes comunitários da nossa região para saber o que se esperam do 
futuro prefeito de Belo Horizonte. Propusemos inicialmente os temas saúde, educação e
mobilidade, mas o desenvolvimento econômico foi incorporado na conversa com o olhar na 
geração de renda e crescimento da Região Norte.

O que se espera de um novo Prefeito

Reportagem e Fotos: Marcos Silva –

marcossilva@comunidadeemacao.com.br 

Este ano teremos eleições municipais. Eleitores das 5564 cidades brasileiras vão escolher os prefeitos e vereadores. Em Minas Gerais são 853 municípios com um total de 15.019.136 votos a serem disputados entre candidatos a prefeito e vereador.

Em Belo Horizonte 1.927.460 eleitores farão suas escolhas. A indefinição de quais eram os candidatos não exime o eleitor de manifestar as suas expectativas sobre o futuro prefeito da capital mineira, independente das siglas partidárias.

Sabemos que decisões dos governos Federal e Estadual influenciam na gestão das cidades, mas a população está mais próxima dos seus vereadores e prefeitos. São deles que os cidadãos podem cobrar diretamente por melhores políticas públicas nas áreas da saúde, educação, mobilidade e segurança. Esta última é responsabilidade do Governo do Estado, mas causa impacto na saúde pública especialmente por causa do atendimento médico às vítimas de crimes e aos tratamentos de usuários de drogas.  Com

Fátima Morais – “Espero que venha prefeito que saiba administrar com o povo e que tenha fácil acesso. Se não houver, como ele fara o que delegamos à ele”

o uma coisa está ligada a outra, a prefeitura pode investir em programas de prevenção da violência e desta forma poupar recursos para investir em outras áreas da saúde.

A proposta desta reportagem é identificar a percepção do cidadão em relação à saúde, educação e mobilidade. A motivação veio da pesquisa qualitativa com moradores de Venda Nova, Barreiro e das regionais Oeste, Leste e Norte, realizada em 2014 pela Innovare, a pedido da Câmara Municipal de Belo Horizonte. A pesquisa procurou saber qual a avaliação da população sobre a Câmara. Entre os temas abordados está o tripé da saúde, educação e mobilidade.

De maneira resumida, a pesquisa da Innovare apontou que a mobilidade é vista pela população como uma dificuldade diária e que só vem piorando. O transporte público é insatisfatório e de custo alto para os usuários. Até para aqueles que não utilizam o transporte público, a imagem é muito ruim e eles dizem não querer utilizar o transporte coletivo. As reivindicações apontam para a necessidade de um salto na qualidade geral – melhorias aqui e ali não resolvem. O metrô é visto como essencial para esse salto, segundo a população ouvida, que admite ser difícil de ver essa meta alcançada de maneira satisfatória.

Quanto a saúde, ela é vista como algo grave em Belo Horizonte, apesar de estável, ou seja, não tem apresentado pioras. Já a educação é apontada como decisiva para condições e perspectivas de vida. Muito aquém pedagogicamente e socialmente, mas evoluindo.

Outras pesquisas recentes publicadas no início da campanha eleitoral apontam para a segurança pública como a maior preocupação da população da capital.

Pela Internet

Nossa reportagem também procurou ouvir as opiniões das pessoas pela internet. Como na pesquisa de 2014 da Innovare, a Educação, a Saúde e a Mobilidade são os principais problemas apontados pelos internautas. Pedimos a eles que apontassem as principais causas desses problemas.

Na educação, os internautas dizem que os investimentos na fase primária da escolaridade já são observados em algumas escolas, mas é preciso manter novos investimentos durante toda a vida escolar, possibilitando aos alunos também um conhecimento técnico. Que tenha políticas públicas de educação que possam proteger crianças, principalmente aquelas que são vítimas de desigualdades sociais. As construções de mais Umeis é outra solução apontada pelos internautas.

Saúde é o tema que despertou mais despertou opiniões junto aos internautas. A presença de mais médicos nas unidades de saúde municipal, aumento no número de consultas médicas eletivas e de especialidades e ampliação da distribuição de medicamentos para doenças crônicas foram as principais sugestões para a melhoria da Saúde na capital.  Além disso, nossos entrevistados também propõem melhorias na infraestrutura dos centros de saúde existentes, com a inclusão de equipamentos como ultrassom e de eletrocardiograma em todas as unidades, salas de observação médica para avaliação e um controle social mais efetivo, com a presença dos Assistentes Sociais nos centros de saúde, além de programas preventivos de saúde. Tudo isso , melhoraria a vida dos pacientes e diminuiria o fluxo de pacientes nas UPAs.

Na mobilidade, a população espera mais investimento em transporte público. Políticas para preparação e formação dos trabalhadores dessa área, para que possam operar melhor os equipamentos dos transportes. A criação de vias de fluxo rápido consorciada para veículos, bicicletas e ônibus. Implantação de mototáxis para viagens de pequena distância e a criação dos centros comerciais nos bairros, o que para os internautas evitaria o deslocamento da população até o centro da cidade e geraria mais empregos locais.

Em resumo, os internautas querem um prefeito dinâmico e que pense no coletivo da cidade. Espera-se responsabilidade com a sociedade e que os benefícios sejam direcionados para as pessoas certas, quem realmente precisam, disseram os entrevistados.

O que dizem as lideranças?

O Comunidade em Ação ouviu também os três militantes do movimento comunitário da Região Norte, para saber o que eles esperam do futuro prefeito da capital. José Horta Carvalho Godoy, representante comercial, morador do Guarani, é conselheiro local e distrital da Saúde da regional Norte. Rui Gonçalves Santos, aposentado, morador do Tupi, conselheiro local da Saúde foi colaborador da extinta Ascombatu, Associação do Tupi. Fátima Aparecida Morais, moradora do Felicidade, é uma das coordenadoras da Rede de Desenvolvimento do Felicidade, um projeto coletivo da Paroquia São Francisco Xavier.

As críticas praticamente foram unanimes para os temas em destaque da reportagem. Eles não acreditam que só a falta de solução dos problemas está na falta de dinheiro, como alega o atual prefeito. Para os líderes comunitários o que falta são políticas públicas arrojadas.

godoy

GODOY – Honrar e moralizar à educação

Para Godoy, o futuro prefeito deve ter mais atenção na saúde, educação e mobilidade. “Honrar e moralizar a educação”, classificou Godoy ao falar da educação. Ele acredita que a qualidade do ensino está fraca e que o modelo pedagógico não atende os anseios dos pais e não motiva as crianças e adolescentes. Rui aponta a necessidade da criação de cursos técnicos e semiprofissionalizantes que possam ser introduzidos no formato de oficinas, atividades lúdicas e extraclasses, com os alunos passando mais tempo na escola. Fátima Morais diz que a situação da educação não é tão ruim. Ela critica a ausência de atividades e cita o projeto Casa de Brincar, que atende crianças de zero a seis anos, que atualmente só existe por meio de parcerias privadas como da Casa Recriar. Anteriormente eram mantidas pela Prefeitura.

No atendimento médico, as três lideranças apontam para a falta de mais atenção à saúde e o gargalo está nas consultas especializadas e na falta de medicamentos. Eles falam com propriedade, pois todos fazem parte do controle social, como conselheiros voluntários da saúde, como previsto em lei. Ruy acrescenta ainda que falta reconhecimento do poder público para com os funcionários. “Eles (na maioria) são muito dedicados e com pouco reconhecimento”, completa, pedindo melhor renumeração para os funcionários. Godoy fala que a demora de consultas e cirurgias eletivas. “Quando marcam, o paciente já faleceu”, explica o conselheiro de saúde, reclamando da falta de autonomia dos gerentes dos centros de saúde para resolver as demandas dos usuários. A expectativa de Fátima Morais é que as unidades de saúde sejam mais estruturadas fisicamente, em imóveis mais adequados para o atendimento médico. “Precisa ter centros de consultas especializadas mais próximos da comunidade e que não demorem tanto para marcar uma consulta”, ensina Fátima, explicando que muitos pacientes têm dificuldades de locomoção para longas distâncias.

rui

Rui – Quer desenvolvimento econômico na Região Norte para ter qualidade vida

A mobilidade também é outra insatisfação dos líderes comunitários. O que foi percebido também nas entrevistas com os internautas. O problema afeta o cotidiano das pessoas, principalmente quem depende de transporte público. Tanto para o trabalhador que perde muito tempo deslocando na cidade todos os dias, quanto para os usuários dos serviços de saúde em busca de consultas e tratamentos especializados. O alto custo das passagens é um dos motivos das reclamações. “Muitas pessoas deixam de ir para uma consulta médica porque não têm dinheiro”, afirma Fátima Morais. Segundo Fátima, ela teve acesso a um relatório da unidade de saúde do seu bairro que detectou isso. “Esta situação poderia ser melhor resolvida com a presença de assistente social atuando na unidade de saúde, que faria a análise socioeconômica do paciente e a implantação do vale-transporte social para o paciente caso necessário”, sugere.

O desenvolvimento econômico de uma região pode mudar a qualidade de vida da população para melhor. Quem pensa assim é Rui, afirmando que não precisaria de ir trabalhar mais longe de casa. “A pessoa chegaria menos estressada em casa e no trabalho, uma vez que a pessoa não fica muito tempo no ônibus”, explica. O incentivo de criação de programas do primeiro emprego para os jovens é uma ideia compartilhada por Godoy e Fátima Morais. Uma política que possa dar ao pequeno empresário condições de absolver o trabalhador aprendiz da região, que ficaria próximo da escola.

A instalação da nova rodoviária na divisa dos bairros São Gabriel e São Paulo pode mudar o perfil econômico da região. A indústria da moda, como no Barro Preto, pode ser uma alternativa para a Avenida Saramenha e outros corredores comerciais da redondeza. Fátima lembra que “muitas mulheres são mantenedoras do lar, trabalhando com facções de confecções”. Ela conta que o Recriar tem de oficinas de artesanato e com as feiras regionalizadas pode vender os produtos de outros expositores. Godoy lembra que a rede bancaria na região impulsiona o desenvolvimento local, mas “precisamos de mais clínicas e outros comércios para gerar mais empregos”, completa.

Uma coisa é certa. O novo prefeito precisa de mais atitude, mais trabalho para obter mais resultados. Fátima Morais tem uma frase de alerta: “Espero que venha um prefeito que saiba e administre com o povo e que tenha fácil acesso”. Que cobre mais aproximação dos movimentos sociais e melhore as relações com os representantes. “Se não houver, como ele fará o que delegamos a ele”, completa.

 

  •  Prefeitos: 11 candidatos
  • Vereadores: 1443 candidatos

COMENTÁRIO

Como devemos escolher os nossos políticos?

Gilvan Araújo*

Uma política coronelista que tratava eleitores como gado e o poder como algo inatingível para a maioria da população foi praticada no Brasil durante muitos anos e, mesmo hoje, podemos encontrar lugares onde essa prática de corrupção ainda vigora. Ora, nesta política arcaica todos os absurdos foram cometidos. O mais lendário deles é a troca de um par de botinhas pelo voto do cidadão, sendo que um pé era entregue antes da eleição e o outro somente após o candidato confirmar a sua vitória nas urnas.

Precisamos acabar com essa prática do “toma lá dá cá” na política. Para isso, temos que entender que o papel do vereador não é pagar a minha conta de luz, o meu botijão de gás ou os meus remédios na farmácia. Ao vereador cabe criar leis e fiscalizar as ações do prefeito par

gilvan

Gilvan Araújo – foto: arquivo pessoal

a que toda a cidade saia ganhando. Por isso, ao invés de pedir para comprar o seu remédio, o eleitor deve exigir que o vereador crie leis que melhorem o atendimento da saúde (incluindo a distribuição de remédios).

Essa dica vale também para nossa escolha do candidato a prefeito. Não devemos escolher o gestor de toda a nossa cidade olhando apenas para o nosso umbigo. Ah, eu vou escolher esse candidato porque ele é da minha igreja! Ou, vou escolher esse porque ele torce para o mesmo time de futebol que eu! A escolha do nosso futuro prefeito deve ser baseada em suas propostas políticas, nas obras que garante que irá fazer demonstrando de onde tirará os recursos para isso. Devemos escolher um prefeito que traga propostas reais de melhorias para a Saúde, a Educação, a Mobilidade e o combate à violência.

E quanto a honestidade do político? Bem, quanto a isso é importante deixar bem claro que a honestidade não é uma vantagem de nenhum político, mas uma obrigação.

 

(*) Doutor em Comunicação Social,

professor universitário,

jornalista e publicitário.

Author

Jornal COMUNIDADE EM AÇÃO LTDA

O Jornal COMUNIDADE EM AÇÃO foi criado em outubro de 1996 com o fim de atender as demandas da comunidade e ser um veículo de comunicação onde os questionamentos encontrassem receptividade. O Jornal é reconhecido pelo seu prestígio, credibilidade editorial circulando nos bairros da regional Norte de Belo Horizonte / MG.

Leave a comment

Back to Top